“Então tá, te vejo depois na Tor,”

“Umh.” Tutor assentiu levantando sua mãe e dando um aceno na direção de seu amigo que estava sentado ao lado do motorista do carro e estava prestes a sair.

Fight olhou pra ele por um tempo antes de fechar a janela do motorista e então dirigiu até a frente do seu dormitório.

Pelo espelho retrovisor, ele pode ver um jovem que parecia solitário. Mais Fighter lembrou que todas as vezes que vira Tutor, ele sempre parecia cheio de algum tipo de força interior.

***

“O que você quer comer hoje kha?” a voz de Hwahwa trouxe Fight de volta a sua consciência e ele a olhou.

“O que você quiser.” ele respondeu

“Uhmmm, que tal carne de porco grelhada na kha P’Fight?”

“Khrab! Porco grelhado parece bom.”

Hwahwah sorriu (em gratidão)aliviada com a resposta de Fight.

Hwahwah era fofa, tanto sua personalidade quanto sua ações, ela era alguém que falava o que queria diretamente. Ele gostava de Hwahwah; mas não sabia bem o porquê de sentir como se faltasse algo.

“Tor faz algo mais além de dar aulas? estou curioso.”

“Aah sim! ele também trabalha meio período na P’Ke Cake Shop. É uma cafeteria muito fofa, ela fica na esquina perto da universidade. O ambiente é muito bom, eu estive lá algumas vezes, dá pra imaginar P’Fight o  Tutor em um uniforme preto com um avental na cafeteria!? ele fica muito bonito P’.”

“Uhm” Ele mal ouviu o que Hwahwah estava dizendo; Provavelmente porque estava um tanto quanto surpreso de saber que além de dar aulas Tutor tinha outro trabalho. Era bem a cara de alguém como Tutor fazer isso.

“Porque essa cara?” Hwahwah ergueu as sobrancelhas perguntando suspeitamente a pessoa ao seu lado “Ou você está mesmo surpreso com o fato do Tutor estar fazendo algo assim?”

“Não”

“Ou, você não consegue entender porque Tutor não falaria sobre isso durante a reunião?”

Fighter assentiu preguiçosamente.

“Não é nenhuma surpresa, porque normalmente Tor não fala muito sobre ele mesmo. A verdade é que a família de Tutor está tendo problemas financeiros. Os negócios dos seus pais sofreram algumas perdas e tiveram que vender a casa e  mudar para casa de seus parentes em outra província. Isso é tudo que Tor me disse.”

“Vender a casa?” Fighter estava curioso.

“Sim, é por isso que Tutor mora em um dormitório, principalmente porque seus pais venderam a casa e pegaram o dinheiro pra abrir um restaurante, mas o dinheiro que seus pais mandam não é suficiente então ele dá as aulas e tem um trabalho de meio período. Pelo menos na universidade, se conseguimos cinco notas As em uma matéria,  não precisamos pagar pelo dormitório. Mais mesmo assim ainda tem as rematriculas e o dinheiro não é suficiente….”

“…”

“… e a matrícula do departamento de engenharia não é nada barato. Mesmo com os descontos, ainda é muita coisa pra pagar e ainda tem o custo de vida e muitas outras coisas.” Hwahwa não consegue não suspirar. 

Essa foi a história que seus pai tinha contado pra ela, quando eles estavam prontos para ajudar Tutor sem o cobrar de volta, mais ao discutir isso com seu amigo ele disso que se ele estivesse mesmo precisando de ajuda, ele a diria. Conhecendo ele, foi só um jeito educado dele recusar sua ajuda.

“Então, como você viu hoje, meu amigo está trabalhando para mim e eu ia comer com ele como pagamento.”

“Ah… Eu esqueci.” Hwahwa se entristeceu “Mas acho que não vai ser problema, porque eu vou com ele da próxima vez pra compensar”

“Meu amigo é ou não fofo?”

“Ham?”

“Qual amigo você quer saber? bem estamos falando sobre Tutor ser fofo Porque além de ser bonito ele também é um ótima pessoa, muito educado e muito diligente, sabendo disso P’Fight deveria estar a favor de ser seu amigo, mesmo que seja só um pouco, né? Pelo menos como colegas de curso?

“…” Fight ficou em silêncio por estar concentrado em dirigir, mais ele precisava perguntar.

“É… Hwa, Tor me disse uma coisa mais cedo…”

“O que foi?”

“Ele disse que éramos namorados..”

“…”

Hwahwa ficou quieta assim que ouviu Fight terminar de falar.

Ele podia lembrar muito bem e estava surpreso com o que Tutor havia dito.

“Se aprender a prestar um pouco mais de atenção, saberá do que sua namorada gosta.”

Ele não era atraído por ninguém. Não quis dizer isso a Tutor, mas queria ter certeza que a pessoa ao seu lado entendesse o relacionamento correto entre eles.

 “É… Isso…”

“ Na verdade, P’ está sério sobre isso. Não entendi o que ele quis dizer, até porque eu e você entendemos bem qual é nosso relacionamento agora.”

A voz de Fighter não soava brava. Estava calma e o tom era suave e apenas expressava seus sentimentos. Na verdade Fight não estava mesmo bravo apenas queria enfatizar que o relacionamento que tinham eram de uma amizade colorida.

Hwahwa permaneceu quieta enquanto apertava ansiosamente suas mãos que estavam em seu colo. Ela mesma estava incerta e não sabia se seu relacionamento com Fighter era sério ou era apenas uma amizade colorida desde o começo até agora.

Nota: Na tradução original é apenas conversando juntos como no significado é “juntos sem compromisso” assim como no capítulo anterior, quando Hwa introduziu Fighter a Tutor como “conversando juntos”.Isso pode ser considerado como “juntos sem compromisso” que é a razão pela qual Tutor não gosta de Fighter)

Fighter havia dito que se ela achasse alguém melhor pra ela, ela poderia falar para Fighter e ele a deixaria sem exitação.

Hwa não sabia porque ele estava fazendo isso. Mais poderia ser porque ele queria achar alguém a qual ele realmente amasse; e quando acontecesse, ele mesmo diria a ela quem era a pessoa que ele queria.

E é claro que por enquanto, ela estava ok com isso, Fighter nunca a perguntava sobre coisas que ela não estivesse preparada pra dizer. Ele nunca a perguntou sobre seu ex namorado por exemplo, ao qual ela realmente não queria falar. Fighter era alguém que cuidava bem dela de um jeito que um cara faria e que ela se sentia bem em conversar.

Sobre fazer mais do que apenas beijá-lo, Hwahwa ainda não havia passado dessa fase com Fighter; mesmo ela já tendo dormindo com seu ex namorado, Hwahwa sabia que existia mais em uma amizade colorida. Porém com Fighter…..

Ela não conseguia entender porque não.

Era o que ela queria, o que ela sempre quis na verdade, Ele, e ela queria dizer isso a Fighter, queria que ele agisse como se estivesse encantado… que perdesse o controle com ela como ele nunca tinha perdido antes. Não que ela odeie o que eles tinham no momento, mais ela sentia que existia algo que eles precisassem superar.

“ Eu deveria dizer aos meus amigos que somos próximos mas não namorados, que somos apenas amigos coloridos. Porque se algum dia eu simplesmente partir e achar outra pessoa, eles talvez fiquem confusos e briguem comigo por deixá-lo?

“Você não precisa fazer isso Hwa…”

“ Eu gosto do que nós temos P’Fight e eu não me sinto culpada por isso” Hwahwa sorriu para Fighter que apenas assentiu gentilmente  com a cabeça antes de voltar a prestar atenção na estrada.

Fighter não prestou atenção na história nem mesmo disse que não havia dito ninguém sobre seu relacionamento com ela. Porque a única preocupação dele era que entendesse que eles não estavam namorando.

*****

‘Tão cansado’

Ele estava tão cansado que só queria dormir, sem pensar ou precisar fazer qualquer outra coisa. ele continuava se dizendo a si mesmo , que quanto mais ele pensasse sobre seus problemas, mais ele iria se preocupar mais que  também não o levaria a nenhuma solução.

Ele estava tão cansado que apenas se jogou na cama sem nem mesmo tirar as meias.Seus olhos estavam quase se fechando quando de repente seu telefone começou a vibrar do seu lado.

Tutor enfiou sua cabeça embaixo do travesseiro para tentar ignorar o barulho do telefone. Mais foi em vão, então ele apenas desistiu, se sentou;esfregou seu rosto e se esticou para pegar o telefone e atender a ligação.

“Khrab”

(“ É o P’Tor?) Falou a voz do outro lado da linha. Era um Nong do terceiro ano que havia começado a ter aulas com ele.

“Sim, Tudo bem? Precisa de algo?” Respondeu Tutor.

(“ É que eu tenho algumas coisas para fazer com meus amigos, então eu queria pedir que cancelasse o curso que iríamos começar esse sábado.”)

“…”

(“Tudo bem? P’Tor?”) a voz soou preocupada do outro lado o que fez Tutor sorrir gentilmente com a preocupação da menina.

“Tudo bem cancelar, eu entendo.”

(“Mesmo? Você é tão compreensível P’Tor. Porque eu sei que foi eu que que contatou para ter as aulas só que minha amiga mãe e alguns outros amigos nos inscreveram para que fizéssemos na escola mesmo…então tive que cancelar.”)

“Tudo bem. não se preocupe com isso”

(“Eu me sinto muito envergonhada! porque você está sendo tão compreensivo. Ah,me faz querer ir e cancelar o curso da escola. Da próxima vez, eu prometo estudar com você ok. E vou trazer outros 10 amigos pra sentar e ficar olhando pro seu rosto.”)

“Se você realmente fizer isso, não vou ser capaz de ensinar”

(“Hahahah, P’Tor não leve a sério , eu não quis dizer realmente. Agora me sinto melhor, não vou mais te incomodar. Boa Noite P’.”)

“Boa Noite!”

Tutor apertou o botão para finalizar a ligação, suspirou e se jogou na cama novamente. Ele abriu o bloco de notas do celular para checar o número de alunos que ainda restavam.

Ele tinha apenas dois alunos restantes, e esses terminariam o curso em algumas semanas.

Ele pensou sobre suas economias. Mesmo tendo o suficiente pra pagar o dormitório, não tem muito sobrando para emergências, e mesmo com sua família mandando dinheiro todo mês a quantia era apenas suficiente para suas despesas diárias em Bangkok.

Tutor fechou os olhos e tentou pensar em alguma solução para seu dilema. A vida não era tão ruim e ele não se arrependia de nada e também não culpava seus pais por colocarem seus negócios em risco.

Finalmente Tutor abriu os olhos novamente e decidiu ligar para P’Ke, o dono do Cake Shop onde ele trabalhava meio período.

“P’Ke… Sou eu Tor”

(“Oh Tor, tudo bem?”)

“ Posso te incomodar um pouquinho?”

(“Você pode me falar comigo sempre que precisar, se é sobre dinheiro, só me diga quanto.”)

“Não é sobre isso P’Ke, bem, Eu queria saber se… eu poderia trabalhar meio período aos fins de semana?”)

(“Claro”)

“ Então, a tarde, depois da escola, posso ir trabalhar também P’?”

(“Espera Tor… Você não tem que dar nenhuma aula?”)

“Eu tenho, mais não são muitos alunos e deve terminar na semana que vem.Por isso quero ir trabalhar ai, mas se eu conseguir mais alunos eu falo com você novamente…”

(“Nong Tor….”)

“Você não pode?”

(“Não é que eu não posso… é só que, não está cansado? não é apenas sobre o trabalho, de ter que cuidar de tudo sozinho…”)

“ Não mesmo! estou me acostumando e acabou até se tornando divertido.”

P’Ke, o dono do Cake Shop, ouvia Tor falar da sua dedicação com fascinação. Mas também não sabia até quando ia conseguir ajudar Tutor. Uma nova cafeteria tinha acabado de ser aberta na mesma esquina que o seu e mesmo não tendo o afetado ainda ele acreditava que iria acontecer eventualmente  .

(“Okay, então você pode vir trabalhar o horário que tive livre.”)

“ Okay P’Ke, Muito Obrigada!”

Com isso, a única coisa que ele podia fazer era… continuar lutando. Su su na!