Ponto de vista do Autor

Não! Não! Não! Não!

– AAARRGHH!!! Isso é loucura! Eu devo estar louco! – Can jogou água fria no rosto sem parar. Seu cabelo e seu rosto estavam ensopados e a água que escorria estava começando a molhar seu colarinho. Suas mãos estavam agarrando a torneira da pia enquanto ele ignorava qualquer outra pessoa do banheiro e olhava seu rosto vermelho no espelho.

– Meu rosto está mesmo vermelho. Droga! Rápido, mude, volte ao normal! – Ele brigou, voltando a jogar água no seu rosto até que ele voltasse a se acalmar. – É apenas o Tin. Esse bastardo me deixa à flor da pele. Ele se aproximou demais do meu rosto e disse que queria me dar um presente de três meses … é tão engraçado, ele é louco a esse ponto! Mas por que eu estou corando?!

Enquanto pensava naquilo, Can usou a mão para pentear os cabelos para trás. Quando ele pensou que Tin realmente estava flertando com ele, seu rosto inconscientemente começou a se tingir de vermelho.

Aquilo era bom, ele tinha aberto seu coração para um cara.

– Hei, você está bem?

Naquele momento alguém veio lhe perguntar se ele estava bem, o que levou Can de volta para realidade. Ele ficou em pé bem reto e respirou bem fundo.

Can, não pense sobre isso. Não é nada de mais. Não pense que ele é nojento, apenas não pense nele de forma alguma. De qualquer forma, eu não sei por quê, quando eu penso que ele está flertando comigo eu começo a corar.

Ele começou a murmurar para si mesmo enquanto suas pernas começavam a tremer e ele começava a caminhar para fora do banheiro. Já fazia dez minutos que ele tinha abandonado o Tin, mas antes de ir embora ele se virou para o homem que tinha se preocupado com ele agora há pouco e disse: – Estou bem, obrigado por se preocupar. – Então ele saiu do banheiro bem depressivo, porque ele se sentia inquieto.

Quando ele começou a caminhar para fora do banheiro, deu tapinhas constantes em seu rosto para tentar voltar ao normal antes de voltar para Tin, mesmo que seu rosto, cabelo e roupa estivessem completamente molhados.

– Quem é ele?

Enquanto ele caminhava para a porta da loja, viu a pessoa com quem estava tendo um encontro. Bem, ele admitia para si mesmo que eles acabaram em um encontro. Tin estava conversando com um homem, ainda que tivessem dois, o homem estava bem vestido e franzia o cenho enquanto falava. No começo, Can pensou que fosse algum amigo de Tin, mas percebeu que estava errado quando percebeu que Tin estava incomodado. A pessoa que conversava com Tin não tinha sua idade, era mais velho, e o estava incomodando.

– Uma vergonha do meu passado.

Ainda que fosse um pouco precipitado tirar alguma conclusão, o Macaco Albino escutou a conversa deles e quando eles passaram por ele, eles tinham uma expressão como se tivessem acabado de brigar. Ainda que estivesse bravo, Can se sentiu como um cão abandonado à beira da estrada, ele sentia como se dessa vez ele não pudesse se levantar por Tin. Quando eles estavam para passar por ele, ele se afastou para o canto e eles, ao passarem, o olharam de cima a baixo com olhos maliciosos. Can apenas os observou.

Quando Can voltou a olhar para Tin, este tinha voltado a ter uma expressão morta.

Ele não conseguiu evitar senão reclamar em seu coração, porque quando Tin estava com ele, ele sempre sorria, mas agora seu rosto estava sem expressão, como um morto. As duas pessoas que conversavam com ele pareciam ser ruins. Depois de um tempo, a conversa deles terminou, provavelmente porque aquelas pessoas o viram os observando, mas quando eles foram embora, deixaram uma atmosfera ruim no ar.

Sim, eu acho que sou um bom observador.

Ele estava tão imerso em seu orgulho que falhou em ver o olhar estranho de Tin naquele momento. Os dois homens que caminhavam estavam perto de Can e por causa da proximidade ele conseguia ouvir a conversa deles.

– Por que você foi tão educado com ele?

– A família dele é bem famosa, mas sem eles, ele seria só mais um viciado. Eu tenho pena dele, uma celebridade envolvida com drogas.

– O Jovem Mestre das drogas! Hahahaha!

Ao ouvir aquilo, Can se voltou para olhar aqueles dois com a sobrancelha franzida, eles tinham acabado de dizer que …

– Onde você está indo? Como ficou todo molhado?

– Tin, o que eles querem dizer com isso? – Can perguntou para Tin, que tinha se aproximado dele e tentando lhe entregar uma sacola de compras, que naquele momento ele não percebeu. Ele perguntou aquilo bem sério enquanto apontava para as costas dos dois que tinham acabado de sair.

Tin franziu o cenho e olhou bem fundo nos olhos de Can, então perguntou lentamente: – O que eles falaram de mim?

Ao ouvir a pergunta, Can congelou, os olhos que o olhavam profundamente estavam esperando por um resposta, incrédulo, Can contou a ele tudo o que tinha ouvido.

Ainda o olhando profundamente, Tin continuou a questionar: – Você acredita neles?

– Se eu acreditasse neles, eu estaria perguntando a você? Não me olhe assim, eu estou esperando sua resposta! Me diga agora, o que eles queriam dizer com aquilo? – Can não conseguia pensar naquele momento, mas para Tin … aquilo lhe trouxe várias memórias do passado.

– Se você quer saber, então vamos achar um lugar para sentar e conversar.

– Vamos! – Querendo logo acalmar as dúvidas de seu coração, Can respondeu imediatamente.

Apesar deles terem concordado em encontrar um lugar para sentar e conversar, parecia que eles tinham encontrado um lugar só para sentar.

– Quando você vai terminar seu café? Vamos começar a conversar logo.

Can tinha seguido Tin a uma cafeteria, onde eles se sentaram em silêncio. Can ficava mordendo os lábios nervosamente, querendo começar a conversa, mas não tendo coragem. Ele não pediu café e tão pouco chamou um atendente, ao contrário de Tin, que tomava café.

Ele tinha que tomar café? Por que ele não bebia aquilo mais rápido?

– Mmm, não é algo realmente interessante.

– Não decida por mim, eu mesmo vou dizer se é interessante ou não, apenas me diga. Rápido, meu tempo é muito precioso, mas se você pedir algo para mim comer eu vou ficar e te ouvir o quanto quiser. Bem, eu não estou dizendo isso porque viemos aqui para comer, ok? É que tudo aqui parece muito gostoso, mas se eu pedir alguma coisa eu não vou ter dinheiro para voltar para casa, mas se você pedir para mim não vou ter problema nenhum. Só dessa vez. Então está tudo bem você me convidar para comer.

Depois que terminou de falar, um garçom apareceu na mesa deles. Depois de fazer os pedidos, o mesmo garçom logo voltou com várias comidas gostosas.

Tin olhou em volta e depois voltou a olhar para os pequenos olhos de Can, que ainda segurava seu garfo, então finalmente começou a falar.

– Você quer ouvir uma história?

– Eu não quero ouvir uma história, eu quero ouvir sua história!

Tin tomou um breve gole de seu café e pousou a xícara lentamente na mesa antes de começar a falar.

– Antes, havia dois irmãos …

Can queria gritar que não queria ouvir aquela história, porque sentia que ela seria triste, mas ao ver olhos de Tin, olhos que escondiam muitas coisas, ele ficou em silêncio e ouviu o que ele tinha a dizer.

– Eles moravam em uma mansão enorme, vinham de uma família muito rica. Um dos irmão sentia que ninguém queria ficar com ele, seu pai estava sempre trabalhando e sua mãe estava sempre em algum evento social, apenas seu irmão mais velho passava algum tempo com ele. Qualquer coisa que ele quisesse, seu irmão iria conseguir para ele, e ele o mimou assim por oito anos, quando tudo acabou. Ele ia ser mandado para estudar fora do país. Ele chorou e disse que não queria ir, mas ninguém ouviu ele, apenas seu irmão mais velho se preocupou em vir o consolar “Tin, escute seu irmão, você deve ir para escola, ok? Assim você vai se tornar uma pessoa incrível. A mamãe e o papai são tão bons para você que eles vão deixar você estudar fora do país.”, “Então por que você não vai Tul?”, “Porque ninguém me ama. Ninguém quer que eu melhore, mas todo mundo ama você, então você não pode decepcionar eles.

O passado esquecido parecia ser insuportável, então Tin apertou sua xícara de café com força.

– O irmão dele o mandou para o exterior, ele costumava o levar para escola. Ele sempre cuidava do irmão mais novo. Antes do irmão mais novo ir estudar na China, seu irmão mais velho era o seu mundo inteiro e a única pessoa em quem ele confiava. Se alguém falasse algo de ruim sobre seu irmão, ele com certeza iria se levantar para o defender. Muitas vezes seu irmão discutia com os outros e precisava de proteção, ele entrava em brigas e era punido pela escola.

Tin olhou para a pessoa que o ouvia quieto. Uma pessoa tão falante como ele estava quieto daquela forma … ele sorriu e não precisa de um espelho para saber que seu sorriso era verdadeiramente alegre.

– Se passou muito tempo e como os pais deles eram indiferentes, o irmão mais velho raramente entrava em contato com o mais novo, então o irmão mais novo fez amigos. Quando ele tinha quinze anos, seus amigos o convenceram a ir em uma festa no dormitório da escola, logo que ele chegou lá, percebeu que aquela festa não era normal, ela era estranha e acontecia todas as semanas. Ele não tinha ficado muito tempo lá quando a polícia invadiu e prendeu todo mundo. No dia seguinte, ele já estava em todas as capas dos jornais da Tailândia, todos eles diziam que o filho de um homem rico tinha sido pego fazendo coisas indecentes.

O sorriso de Tin não era nada feliz.

– Ele aceitou passar pela perícia policial e nenhuma droga foi encontrada com ele ou nele, ele não tinha cometido nenhum crime, mas mesmo assim foi mandado de volta para a Tailândia. Seu pai estava muito desapontado e sua mãe o acusou de não se importar com a imagem da família e ter arruinado a reputação deles perante a sociedade. Apenas seu irmão se importou com ele e veio o consolar. Ele só podia depender de seu irmão, mas …

Quando Tin chegou nessa parte da história a mão que segurava a xícara de café começou a tremer. Ele não sabia se estava tremendo por causa da atmosfera triste ou por outra coisa.

– Ele estava prestes a ser mandado para outro país para estudar fora de novo, então naquele dia seu irmão ficou bêbado e lhe disse toda a verdade. Foi seu irmão que convenceu seu pai e sua mãe de o mandarem para um escola no exterior. Naquele dia, seu irmão pagou seus amigos para o convencerem de ir à festa e quando seu irmão mais novo já estava na festa, ele mesmo ligou para a polícia pra fazer a denúncia. Ao mesmo tempo, foi ele quem avisou os jornais sobre a notícia. Foi seu irmão mais velho quem manipulou tudo pelas suas costas. Tudo o que ele tinha feito pelo seu irmão mais novo no passado tinha sido por desprezo. Naquele dia seu irmão disse …

Tin olhou pra mesa e se lembrou daquele dia que o fez sofrer pelo resto de sua vida.

– “Você devia ter morrido no ventre da sua mãe.

Ele abriu a mão no ar e sorriu para Can, dizendo calmamente: – Fim. Essa é a história.

Depois daquilo, Tin olhou para Can, que parecia perdido. Ele queria saber o que ele estava pensando, mas assim que o viu atordoado ele quase quis dizer a ele que era tudo brincadeira.

– Can. – Tin o chamou, e Can, que estava sentado na frente dele em um torpor, voltou a si. Tin, no entanto, não esperava a cena que se desencadeou a sua frente. – O quê? Você está chorando?

Sim, agora os olhos de Can estavam cobertos por lágrimas, então ele limpou os olhos com a costa da mão.

– Você tem que me levar para sua casa! – Can subitamente agarrou a mão de Tin e gritou.

– Por que você quer ir na minha casa?

Can olhou para Tin com raiva e sua voz ficou mais alta: – Eu vou bater no seu irmão! Como ele ousa fazer isso com você?! Ele é mesmo uma pessoa?!

Se Can não estivesse secando as lágrimas com as costas da mão naquele momento, Tin teria o achado bastante assustador.

Algumas pessoas do café pararam para olhar eles.

– Primeiro sente um pouco.

– Eu não vou me sentar, vou ensinar uma lição a ele!

A pessoa escandalosa estava rugindo como sempre e apesar de Tin sempre se sentir um pouco envergonhado, dessa vez ele sorriu. Ele sentiu que o outro estava abrindo seu coração, então disse bem baixinho: – Obrigado.

– Eu não entendo, por que você está me agradecendo?

Graças a Tin, Can se sentou. Mesmo que ainda estivesse chateado, ele se sentou e limpou o rosto com uma toalha de papel que pegou.

Essa pessoa que se recusava a desistir, nesse momento, era muito lindo aos olhos de Tin. Ele sentia como se estivesse nascendo de novo depois de se afogar. Tin nunca pensou que poderia estar tão relaxado e que poderia rir de forma tão esplêndida. Toda vez que ele mencionava seu irmão, ele fica muito, muito bravo, mas dessa vez não foi assim e isso era porque ele estava com Can. Ele sentia que nesse momento ele estava em paz, e era uma paz que ele não sentia há muitos anos.

– Eu quero matar seu irmão, como ele pôde fazer isso com você?!

Veja, ele continua falando como antes.

– E se eu te disser que é apenas uma história?

– Seu rosto me diz que não é só uma história. Eu sou estúpido, mas desde que você me diga que isso é um fato e não uma história, eu vou acreditar em você!

E mais uma vez, as palavras inocentes de Can fizeram Tin se sentir diferente do seu irmão. Ele não pensava mais em si mesmo como lixo ou um desperdício como seu irmão.

– Sabe de uma coisa? Se você bater o Tul, o Jovem Mestre de uma família rica, você pode acabar indo pra prisão. E sua família ainda pode ser envolvida. Você acha que valeria a pena?

Can mostrou o punho para Tin, mas este não ficou assustado. Ele podia não acreditar, mas desde que ele era seu irmão, não tinha nada que ele pudesse fazer, ainda mais sendo alguém de fora.

– Mas eu odeio ele. Odeio ele pelo que você me contou!

Tin sorriu.

Se seu irmão não tivesse bebido naquele dia depois de descobrir que Wadee, sua esposa, estava grávida, ele nunca teria ficado porre e lhe contado tudo aquilo, então ele ainda seria afeiçoado ao seu irmão.

Até mesmo a história de sua cunhada seria diferente agora, pois só estava com ela até hoje por causa do filho.

– Can, pode me prometer uma coisa?

– O quê? – Can perguntou com o nariz vermelho e nenhuma raiva, sentindo que queria encontrar o irmão dele.

– Se você ver meu irmão, não se aproxime dele.

– Por quê??!!! – Ele pediu uma explicação.

Tin também queria saber o porquê daquilo. Se ele não tivesse se interessado por esse homem, hoje ele não teria tido essa afirmação … ele precisava dele … do Cantaloup! Ele nunca teria outro alguém em sua vida que não fosse ele.

– Porque eu gosto de você!

Can olhou para ele com o queixo caído. Por acaso isso era momento para dizer isso? Mas de fato, em momento como aquele, ele disse que gostava dele.

Ele não está com medo da arrogância do meu irmão?

– Eu gosto de você e não quero que vire um dos alvos do meu irmão, entendeu?

Seu olhar era bem ameaçador, como se tentasse fazer Can se submeter ao seu pedido, mas alguém como Can que não tinha medo de nada não se sentiu assustado. Não houve um pingo de medo, o que o fez pensar que era impossível evitar que ele fosse atrás de seu irmão.

– Eu não vou!*

(Tradutora: Ele está dizendo que não vai virar alvo do irmão de Tin.)

– Você vai pagar por essas coisas você mesmo!

– Hei! Você não pode fazer isso comigo, você sabe que eu não tenho tanto dinheiro, como você quer que eu vá para casa?

– Então me prometa.

– Não prometo!

– Então pague você mesmo.

– Ok, eu prometo. Eu não vou atrás do seu irmão para me vingar por você!

No fim das contas, ele ainda teve que se render a ele. Tin sorriu brilhantemente enquanto pensava sobre isso, ele não queria que ele se vingasse, mas nem mesmo podia o denunciar, se ele fizesse isso seria a mesma coisa que procurar por problemas.

Ele mesmo tinha tentando desmascarar seu irmão, mas tudo o que ele conseguiu foi falhar nisso. Seu irmão não fazia ponto sem nó e não deixava qualquer evidência a vista, então quando ele voltou para Tailândia, ele descobriu que não tinha nada.

– Eu realmente não entendo pessoas ricas. Mesmo que vocês sejam irmãos, ele te tratou assim? Seus pais também são muito ingênuos. Como você pode deixar seu irmão enganar eles assim? Quanto mais você esconde isso, mais triste você vai ficar. Ele até mesmo arruinou sua reputação com drogas. Quanto mais eu penso sobre isso, mais eu penso que um soco não seria o suficiente. Esse tipo de pessoa deveria morrer. – Can reclamou comendo alguma coisa.

Geralmente Tin não falava sobre suas memórias, mas dessa vez ele ficou feliz em mencionar o passado.

Quando Can finalmente ficou sem nada para reclamar, Tin colocou a sacola que carregava em cima da mesa e empurrou na direção de Can.

– O quê?

– Estou te dando.

– O que é?

– É para você.

– Eu perguntei o que é!

– E eu disse que é para você.

Can estava quase irritado, pensando que Tin queria usar seu dinheiro para o envergonhar. Ele olhou pra sacola na sua frente e a pegou, quando viu o que tinha dentro ele arregalou os olhos. Can olhou para Tin sem conseguir acreditar. Ele abriu mais a sacola e tirou o que tinha ali dentro, a pondo na mesa.

– O que é isso Tin?

– Estou te dando.

Mesmo estando animado pela ideia do celular, que tinha a mesma cor que ele queria, ele balançou a cabeça, mordendo o lábio, e empurrou o celular de volta para Tin. Agora ele entendia por que as pessoas queriam aquilo. Ser bancado, provavelmente era por causa daquele sentimento. Mas mesmo agora, quando ele tinha o que queria bem na sua frente, ele empurrou o objeto de volta ao comprador.

– Não, não, não. Eu não posso aceitar, eu não quero ver isso, não quero que me insulte com seu dinheiro!

Quando ele reagiu daquela forma e cobriu seus olhos, aquilo foi amável. Tin não conseguiu se segurar e riu mais uma vez, era como se ele esperasse que essa fosse sua reação.

– Quem disse que eu estou te dando isso de graça?

– Hun?

Can o olhou por entre os dedos e viu que ele estava se preparando para tomar mais um gole de seu café.

Sério? Por acaso o copo dele se enche automaticamente? Quando ele vai terminar de tomar esse café?

– Esse celular tem um preço.

Quanto mais o Macaco Albino mostrava sua expressão agressiva, mais Tin gostava dele.

– Você não disse que queria que sua mãe comprasse esse celular para você e que então você ia pagando ela aos poucos depois? Mas eu comprei ele para você primeiro, então você pode me pagar os mil por mês até quitar a dívida, assim eu não vou estar te insultando com meu dinheiro e você não vai estar pegando o celular de graça.

Tin não conseguia compreender muito bem a personalidade estranha de Can, então aproveitou aquela oportunidade e o tratou de forma séria, o deixando mais a vontade.

– Isso não te torna meu credor?!

– Não, esse celular está no meu nome, como eu poderia ser ser credor? Já ouviu de falar de contrato de celular?

– Hei, é como comprar um carro parcelado.

Tin concordou.

Can pegou o amado celular com cuidado e o acariciou como se tivesse medo que ele fosse o morder, então voltou a olhar para Tin e perguntou: – Você tem certeza?

– Se você não for usar, tão pouco vai ter utilidade para mim. Eu já tenho um celular e dois tablets em casa, então para que eu ia precisar?

Hei, eu já sei que você é rico!

Can gemeu em seu coração e apreciou o momento de iniciar o celular. Se ele aceitasse aquilo então também era esperado que ele o beijasse. A pessoa sentada à sua frente voltou a falar.

– Eu te dei um bom pacote, então o preço será menor e você poderá terminar de pagar mais rápido, a única coisa ruim é que você vai ter que mudar seu número.

– Sem problema! Eu não queria usar o mesmo chip do antigo de qualquer forma. – Can disse animado, se curvando. Então ele abriu os ‘contatos’ do celular e descobriu que já tinha uma pessoa ali, ele não conseguiu evitar olhar para Tin.

– Vai ser fácil me contactar quando for me pagar de volta.

– Hum …

Parecia que Can já tinha percebido que todas as condições anteriores não valiam mais. A outra pessoa pegou um celular da mesmo cor do bolso e disse: – Seu número já está salvo no meu celular.

Merda Ai’Tin, eu não lembro disso fazer parte do acordo!

Alguns segundos depois de encarar o celular, ele lembrou de algo muito importante, o motivo que o levou para aquele lugar e que ele tinha se esquecido durante todo o tempo em que estiveram juntos …

A foto!!!

– Hei, eu posso tirar uma foto sua? Para colocar no seu contato, entende?

Ele realmente queria se amaldiçoar!

O jogador de futebol estava murmurando para si mesmo, como estivesse com dúvida de algo, então Tin franziu a testa e se levantou, indo até ele e se abaixando, suas bochechas quase se tocando.

– Você … o que você está fazendo?

– Eu não gosto de tirar fotos a não ser que alguém esteja comigo, se não for assim então não vou tirar.

Ai’Lei, isso é culpa sua!

– Mas eu não quero tirar nenhuma foto! – Can insistiu, então Tin ajeitou sua postura atrás dele e disse em tom indiferente: – Então não vou tirar a foto.

– Então eu vou tirar a foto com você, você realmente tem um monte de manias! Eu não quero tirar foto, mas eu preciso! Rápido, sorria! Eu tenho que tirar uma foto!

Assim que ele conseguia algo para reclamar, ele não parava de reclamar. Ele até mesmo puxou Tin para mais perto dele, mas este acabou se aproximando demais.

– Qual é? Não vai tirar?

A outra parte só reclamava e o outro começou a se recuperar. Os dois juntaram o topo de suas cabeças e sorriram pra câmera, então tiraram a foto. Uma foto perfeita de alta definição foi salva em seu celular enquanto ele estava imerso em sua própria definição de perfeição.

Naquele momento, as coisas estavam começando a se tornar naturais entre eles e mesmo que tivesse tirado a foto, por algum motivo ele não queria dar ela para sua irmã. Isso provavelmente tinha a ver com a forma estranha com a qual o captador da foto a olhava. Tin o olhava sem parar na foto e isso poderia ocasionar perguntas que simplesmente não queria responder.

Ele, no entanto, esqueceu de se afastar daquela pessoa perigosa e enquanto ele estava imerso em sua própria alegria, Tin olhou para ele atordoado. Ao ver aquele sorriso, Tin quase quis fazer alguma coisa porque não queria que aquele sorriso desaparecesse.

Para conquistar ele eu tenho que o aceitar por completo, né?

– Hei, oi, já chegamos.

Na verdade o Mestre Tin já estava preparado para o levar para casa, porque ele achou que poderiam conversar mais durante o caminho, mas durante todo o momento desde o shopping até a casa de Can, este apenas ficou mexendo em seu celular novo. Ele só levantou a cabeça quando já estavam chegando na casa dele. Ele balançou a cabeça, impotente.

– Ah, obrigado por me trazer em casa.

Quando o carro parou, Can olhou para cima de novo e guardou o celular, então tirou o cinto enquanto agradecia e abria a porta. Ele não ligava para a pessoa que tinha o levado para casa.

Parece que aquilo deixou o Rico Jovem Mestre muito desconfortável.

– Você vai me deixar assim?

– Hei, o que você quer dizer com isso? Eu sou tailandês, você espera que eu te dê um beijo no rosto para se despedir?

– Isso soa muito bem. Eu não ligo se você quiser adotar a hábito de se despedir com um beijo na testa.

Can escutou aquilo com muita surpresa e já foi se preparando para dar um soco nele, mas em vez disso ele disse: – Mas eu ligo! Você já me beijou duas vezes antes, o que mais você quer?

– Um terceiro beijo.

Mesmo que o Cantaloup sempre tenha sido estranho, quando ele ouviu aquele cara dizendo aquilo em um tom totalmente sincero depois de o levar para casa, um sentimento incompreensível cresceu em seu coração.

– Oh … você pode não beijar? – Ele começou a barganhar.

– Eu paguei o café. – Tin não era vegetariano.

– Tin, não seja assim.

– Comprei o celular.

– Tin …

– Te trouxe em segurança para casa.

– Hei!!! Você realmente quer me beijar, né?! Então venha, vamos, me beije!

Quando descobriu que não podia discutir com ele, ele gritou, não querendo sentir que devia algo a ele. O rosto dele ficou vermelho, mas Can era um especialista, então fechou os olhos e levantou a cabeça.

– Hei … você tem certeza?

Então não tinha mais ninguém falando, a distância entre os dois já não existia. Os lábios de Tin pressionaram os de Can com força e dessa vez ele sentiu que era diferente das outras vezes.

Tin moveu a cabeça para o lado para ter um acesso melhor a sua boca, seus lábios se moviam lentamente e no mesmo ritmo ele passou sua língua pelos lábios do outro, pedindo permissão para continuar. A recepção não foi agressiva. Agora Can parecia estava com uma expressão diferente, ele estava começando a relaxar. Sua mão apertou com força a sacola de presente e a outra se apertou em um punho todas as vezes que ele sentiu um pequeno toque. Ele abriu a boca e imediatamente sentiu algo úmido entrar, fazendo uma corrente elétrica passar por todo o seu corpo. Ele queria continuar, mas usou ambas as mãos para afastar a pessoa na sua frente.

Por um momento Tin o olhou sem jeito, tentando descobrir o que tinha acontecido.

– Você disse que era um beijo, então por que usou a língua?!

– Não é um beijo se não tiver língua.

Quão descarado podia ser o amor?

Ele já estava preparado para se virar e sair, então abriu a porta de novo sem dizer nada, com medo de perguntar algo e receber uma resposta tão desavergonhada quanto aquela.

– De qualquer forma, muito obrigado por hoje, eu vou amar muito esse celular.

Can disse aquilo enquanto mostrava a sacola do celular e acenava. Quando ele terminou, ele fechou a porta e não voltou a se aproximar, porque não queria ver a expressão de Tin.

– Eu que deveria te agradecer! – Tin disse para si mesmo, sorrindo.

Ao que parece a pessoa que ele gostava tinha o costume de fugir para esconder o rosto vermelho.

Depois daquilo seu coração ficou mais convencido. Tudo o que tinha acontecido hoje lhe disse que ele não deveria deixar Can escapar.