Ponto de vista do Autor

– Oh… Wow… Mas que menina bonita. Qual o seu nome, minha linda?

É hora do almoço.

Obviamente o restaurante está lotado nesse horário, todos os alunos e funcionários vieram até aqui agora para comer antes das aulas da tarde começarem. Ae e seus amigos também vieram, claro, e chegaram na hora certa, pois pegaram a última mesa que estava desocupada.

De repente, alguém cobriu os olhos de Pond.

Quem mais seria além da única menina que pegou seu coração?

ChanAim.

Aquelas foram as primeiras palavras que ele disse para a menina da Faculdade de Artes que estava sentada em uma mesa com suas amigas, quando elas ouviram aquilo, se viraram para olhar para ele.

– Bem, eu acho que você está falando com apenas uma de nós, não é Ai’Pond?

– Eu não fui muito específico sobre isso, mas todas vocês são muito bonitas Khrub.

Certo… Ele não tinha sido específico, mas os olhos dele estavam claramente olhando para a única menina com rabo de cavalo na mesa. Apenas aquelas palavras bregas fizeram as meninas rirem e olharem para o mesmo lugar que ele, para a amiga delas.

– Tão doce, nah?

– Super doce… – E isso fez elas darem risadinhas de novo.

ChanAim fingiu limpar a garganta antes de se virar para o melhor amigo do namorado ao invés dele.

– Você precisa de uma mesa para almoçar? Vocês podem sentar aqui, nós já vamos sair de qualquer forma.

– Sim, certo… Peguem essa mesa na kha… Nós estamos saindo agora. Você vai ter aula com o Pond de tarde? Então apenas vá em frente, me chame assim que terminar para voltarmos juntas.

A menina olhou ao redor da cafeteria lotada, se eles fossem esperar por uma mesa eles definitivamente iam perder a aula da tarde, por isso todo mundo pegou suas coisas e disse tchau para ChanAim, que ainda tinha aula com o namorado pela tarde.

– Ping, vamos para a barraca de carne, eu quero pedir spaghetti.

– De novo? Por que você sempre gosta de pedir spaghetti dessa barraca de carne? – Ping balançou a cabeça, rindo. Quando Boe apontou para a barraca de carne, Ae também foi com eles, mas ia fazer seu pedido em outra barraca.

Demorou apenas alguns minutos para todo mundo voltar com seus pratos e ver o casal sentado perto um do outro, mas…

Espera… Era bem estranho esses dois estarem sozinhos sem ter um momento romântico.

– Coma esses vegetais. Por que está desperdiçando eles?

– Eu não gosto de Sensitiva-de-água.

– Então por que você pediu ela frita para começo de conversa?! – ChanAim elevou a voz enquanto conversava com o cara que não parou de sorrir e continuou discutindo com ela.

– Eu só queria o porco crocante que vinha com ela, mas não queria a Sensitiva-da-água.

ChanAim suspirou bem alto.

– Coma. – Ela usou o garfo para pegar alguns vegetais e dar na boca do namorado, o que Ai’Pond achou muito fofo.

Ele não teve outra escolha a não ser comer o que sua namorada estava lhe dando na boca. Ae, que estava vendo tudo, explodiu em risadas.

– Você é tão boa em convencer ele a comer os vegetais, ChanAim.

– Ele devia aprender a apreciar os agricultores que cultivaram esses vegetais, além disso, ele devia pensar muito bem antes pedir alguma coisa. – ChanAim explicou. Ela parecia bem em repreender ele em público, mas a infantilidade dele a irritava muito.

Aquilo, no entanto, deu a Pond a oportunidade perfeita implicar com seu amigo, então ele foi em frente.

– Hah! Ai’Ae… Você está com inveja, não é mesmo? Por que não pede para Ai’Pete te alimentar então?

– Por que Pete? – ChanAim perguntou curiosa ao mesmo tempo que Boe, que jogava um jogo no celular e levantou a cabeça para fazer a mesma perguntar.

– Ceeeeeeerto… Certo… Por que o Pete?

Ambas as meninas estavam olhando para o menino, curiosas.

Ae começou a se sentir desconfortável em seu lugar.

– Ai!!! Ai’Ae, você me chutou!!! Mas que merda, para que isso?

– Seu BOCUDO. – O jovem Jogador de Futebol disse de forma calma enquanto sacudia a cabeça. Ping, do outro lado, estava rindo de forma descontrolada.

– Ai’Aeeeeeeee!!!

O som do Macaco Albino ecoou no centro da cafeteria antes que qualquer pessoa pudesse comentar sobre o que Ae tinha dito. Eles o viram correr em sua direção. Seu rosto branco-marfim estava pingando suor, mas seus olhos vividos mostravam o quão energético e hiperativo ele era.

Ele começou a falar na frente deles sem nem ao menos tomar fôlego.

– Eu estou tão feliz de te ver aqui. P’No está nos levando para uma festa hoje à noite, você vem? P’No está pagando. Isso é uma oportunidade rara, cara! Sabia disso? Ele normalmente é pão-duro, mas agora ele está dizendo que vai pagar o jantar para os novatos. Ele deve ter ganhado um bônus ou algo assim. Vamos juntos, nah? Vamos fazer ele gastar BASTANTE!

Can estava falando bem rápido com muita animação. Até mesmo Pond não pode evitar rir vendo a afobação dele.

– Sinceramente Ai’Can… Você ainda está respirando enquanto fala? Eu me sinto muito cansado só de olhar para você.

– Eu sou uma pessoa alerta, Ai’Pond. – Can se virou para Pond sorrindo, o que fez seus olhos fecharem completamente. Esses dois se conheceram no mesmo dia em que ele conheceu Ae, então obviamente Can também eram muito próximo do quarto-italiano.

– Não posso essa noite, eu tenho que fazer uma coisa. – Ae negou com a cabeça em resposta a sua conversa sobre o jantar.

O Macaco Albino parecia desapontado.

– Por quê? Por quê? Por quê???? Vamos lá nah… Vamos juntos. É uma oportunidade muito rara.

– Eu não posso. Eu já combinei uma coisa há vários dias. – Ele disse de forma calma enquanto seu amigo, atrás dele, ria bem alto com sua resposta.

– Nah… Não se incomode convidando esse cara, mesmo que você o torture ele não vai mudar de ideia, porque hoje à noite é a lua-de-mel dele.

– O quê???

Todo mundo olhou para Ai’Pond ao mesmo tempo. A reação deles o fez rir ainda mais enquanto balançava as mãos no ar.

– Eu só estava brincando. Ele vai estar ajudando ALGUÉM a se mudar para o apartamento novo hoje à noite. – O melhor amigo um-quarto italiano de Ae enfatizou a palavra “ALGUÉM” o que fez o Jogador de Futebol o encarar de forma irritada.

Certo. O senso de perigo de Ai’Pond soou, então ele mudou de assunto conversando com Ai’Can.

– Você conhece o Pete?

– Pete? Sim, claro! Aquele cara bonito da Faculdade Internacional. Ele é um cara bem afeiçoado e é muito legal, mas agora que você falou dele, aquele outro amigo dele é um imbecil e um boca suja. – Can começou a falar o quanto ele detestava Tin assim que lembrou dele.

– Quem é esse?

– O amigo dele da Faculdade Internacional. Aquele filho da puta imbecil. Ele insultou a mim e Ae várias vezes. Ele disse que nós dois somos repugnantes. Teve essa vez em que Pete nos ofereceu uma carona ao campo de futebol e ele disse que nós dois íamos sujar o banco de trás. Como ele ousa pensar em nós dois dessa forma?! É melhor ele nunca mais dar as caras ou eu vou dar um soco nele… DEUS! Apenas pensar nele já me irrita muito!

Can parecia tão bravo naquele momento, o que surpreendeu e chateou Pond ao mesmo tempo, pois ele nunca tinha ouvido aquela história antes. Ele virou o rosto para olhar seu amigo.

– Calma, Ai’Can. Você está esquecendo de respirar e isso pode te matar qualquer dia desses. E chega dessa história. Não deixe Ai’Pete saber dessa história, ok? Eu não quero que ele fique chateado.

– Mas eu quero… – Can protestou. Ele estava planejando dizer para Ai’Pete sobre o que Tin tinha dito já há vários dias. Ele só estava esperando pela oportunidade de vê-lo de novo.

Ae segurou seu ombro e disse para ele de forma calma: – Mas se você fizer isso, Ai’Pete vai ficar triste, entendeu? – A mensagem dele foi curta e simples, mas ainda assim foi boa o suficiente para mudar a mente de Ai’Can. Ele ainda queria dizer a Pete sobre seu amigo imbecil, mas ele não queria chatear um cara legal como ele. Ele tinha sido muito bom com ele desde o dia em que se conheceram.

Ae finalmente se levantou e fez um anúncio para seus amigos.

– Eu vou faltar às aulas da tarde. – Apenas isso, então pegou sua bandeja e deixou no lugar de louça suja.

Suas palavras deixaram todos da mesa surpresos. Claro, todos eles suspeitaram já que não tinha treino de futebol naquela tarde, além disso, Can estava sentado bem ali, se houvesse qualquer treino ele iria saber.

Tinha apenas uma pessoa ali que sabia para onde ele estava indo.

Tsk, tsk, tsk… Ora, ora, ora… Cara… Você está sendo muito óbvio, Ai’Ae!

O apartamento novo de Pete não era muito longe do campus, se fossemos analisar bem, dava para dizer que era mais perto da faculdade do que o dormitório de Ae.

O Jogador de Futebol já tinha chegado e agora estava esperando na entrada do prédio enquanto olhava para o relógio. Já era quase uma da tarde, o que queria dizer que ele estava muito adiantado. Seu namorado tinha dito para ele chegar por volta de uma e meia ou duas da tarde, mas ele decidiu chegar mais cedo mesmo assim.

Pete tinha lhe dito para vir depois que suas aulas da tarde terminassem, mas ele não queria que o Jovem Mestre carregasse suas coisas sozinho, por isso ele faltou aula e veio o mais cedo que pôde. Por causa disso, o plano agora era chegar mais cedo e ligar para ele depois.

Mas então…

– Tia, Khrub… Me deixe ajudar você.

Ele viu uma mulher de mais ou menos sessenta anos tentando tirar uma mala enorme de uma Mercedes Benz Preta. Cara!!! Aquela mala era realmente enorme, do tipo que as pessoas levam quando vão estudar no exterior. Ela estava com muita dificuldade para levar aquilo para a entrada do prédio e isso despertou a gentileza de Ae, era apenas muito comum que um cara legal como Ae fosse ajudar o mais rápido possível.

A oferta repentina fez a mulher se virar para olhar para ele antes de lhe mostrar um sorriso.

– Obrigada na kha… Eu achei que podia dar conta disso, mas acabou que eu não consigo. Eu sou muito fraca. – Ae sorriu para ela enquanto tirava a enorme mala do porta malas, o que surpreendeu a mulher, que viu que ele além de ser gentil, o menino também era forte… Forte de uma forma viril.

– Tem mais alguma mala Tia? Me deixe ajudá-la com elas também. – O cara feroz, mas coberto de gentileza e sinceridade, perguntou a Tia Jew, o que fez ela sorrir e começar a gostar muito daquele jovem rapaz.

A verdade era que ela estava tentando tirar aquela mala do carro há um bom tempo, e durante esse tempo muitos estudantes passaram por ela, mas nenhum ofereceu ajuda. Exceto esse jovem, que se aproximou e lhe ofereceu ajuda de primeira.

– Essa é a única Kha. Você também mora nesse apartamento? – A senhora que esperava por seu Khun’Noo perguntou a ele com um sorriso brilhante. Na verdade, ela tinha vindo para saber como seriam os vizinhos de seu Khun’Noo.

– Não, Khrub. Eu estou aqui para ajudar meu amigo com a mudança para o novo apartamento dele, Khrub. – Sua resposta provou mais uma vez o quanto ele era uma pessoa gentil e polida.

– Eu também Nong. Estou aqui para ajudar meu Khun’Noo com a mudança dele também.

– Khun’Noo?

Cara… Sério? As pessoas ainda chamavam seus Jovens Mestres dessa forma hoje em dia?

– P’Jew Kha. Por que você está tentando pegar essa coisa sozinha? É muito pesado. – Alguém começou a falar atrás deles, o que os fez se virar para trás e olhar para a pessoa que tinha acabado de chegar. Ae não conseguia dizer qual a idade dela, ela era tão linda que era atemporal, especialmente com aquele lindo vestido.

Ela estava caminhando com alguém logo em seu encalço.

– Par’Jew Khrub… Deixe eu levar isso para você nah Khrub. É muito pesado… Ae!!! – Ae reconheceu o “Khun’Noo” do qual a senhora falava assim que ele caminhou na direção deles.

Certo… Por que ele não estava surpreso em descobrir que o tal Khun’Noo do qual ela falava era na verdade Ai’Pete?

O nome que Pete tinha acabado de chamar fez Khun’Putcharapon erguer uma sobrancelha e olhar para o jovem de uniforme universitário parado em sua frente de imediato. O baixinho fez o mesmo assim que percebeu sua semelhança com o namorado.

Agora ele estava começando a entender tudo como peças de quebra-cabeça se juntando pouco a pouco.

– Khrub… Esse é Ae Khrub.

Sim. Ae ficou estático no momento em que ele se deu conta de que estava na frente da mãe de seu namorado naquele exato momento.

***

Ae achava desde o começo que aquela mala não era a única coisa que Pete tinha trago de casa com ele.

E ele estava certo.

Meia hora depois, vários homens de uniforme azul estavam ajudando com a mudança.

Cara! Aquele era o processo de mudança mais sério que ele já tinha visto.

– Ai’Pete, onde você quer que eu ponha essa coisa?

– Err… Deixa isso na mesa por enquanto Khrub.

A essa altura Pete não fazia a menor ideia com o que lidar primeiro. O pessoal da mudança estava levando as coisas para seu quarto e seu namorado estava tentando fazer o mesmo. De qualquer forma, antes mesmo que ele pudesse ter tocado em qualquer coisa, Ae sacudiu a cabeça e disse: – Pare, nem mesmo pense nisso. Você não tem que carregar isso. Apenas entre e arrume seu quarto, nah.

Pete só pôde sorrir para o cara corpulento ao lado dele. Ele também queria ajudar, mas Ae não concordava com isso. Depois disso ele foi para o quarto, onde viu Par’Jew arrumando suas roupas no armário e sua mãe dando ordens aos homens sobre onde deixar cada coisa.

Ele se sentiu tão inútil naquele momento.

Ele não percebeu Ae passando por ele até que ele estivesse ao seu lado, só então ele se deu conta de que seu namorado estava carregando a impressora. Pete teve que seguir ele bem de perto para lhe dizer onde deixar aquilo dentro de seu quarto.

– Ae, você está bem?

– Estou, só mais algumas caixas.

– Uhm… Não são só algumas caixas, eu sei. – Pete riu culpado ao ver o namorado tirar a camisa de dentro da calça e desbotoar alguns botões pelo calor, ele estava suando muito depois de carregar caixa após caixa para seu apartamento.

Ae olhou o sorriso de Pete.

– Pare de pensar dessa forma. Isso não é nada comparada as coisas que faço quando volto para casa. – O Jogador de Futebol falou naturalmente enquanto ria. Agora, olhando para Pete, ele não pôde evitar se não pensar no quão fofo ele parecia todo confuso com esse negócio de mudança. Ele realmente não sabia o que fazer.

E, no entanto, ele parecia tão entusiasmado em fazer sua parte que ele começou a dar algumas sugestões.

– Por que você não arruma uns livros na estante? Eu vi alguns livros dentro de umas caixas um tempo atrás.

– Ehh, Khrub.

Ae conseguia ler todas as expressões estranhas que Pete estava tendo hoje, por isso ele subitamente perguntou: – O que está te incomodando?

Pete parou de sorrir e começou a falar em um tom suave.

– Err… rr… Eu me sinto estranho porque não estava esperando que você conhecesse minha mãe hoje. – Aqui estava… Pete finalmente disse isso em voz alta. Ele não estava realmente tão incomodado assim, ele só estava um pouco preocupado. Isso era tudo.

A mãe de Ae estava totalmente por fora do relacionamento deles, mas a mãe de Pete sabia de tudo.

Ele imaginava que ela sabia. Ela só não queria dizer.

O que mais preocupava Pete era que talvez sua mãe não gostasse de Ae.

Ele estava tão preocupado.

Ele não podia ler a mente de sua mãe e a única reação que ele tinha visto quando eles se conheceram foi o waii polido dela.

“Eu ouvi tanto de você do Pete, estou grata de finalmente poder te conhecer hoje. ”

Foi a única coisa que ela disse depois que eles se conheceram, por isso Pete não fazia a menor ideia do que ela estava pensando agora.

Ela tinha gostado de Ae? Ae estava com medo dela?

Essas eram todas as suas preocupações. Os dois eram as pessoas que ele mais amava no mundo, o que o deixava mais preocupado ainda.

Essa era a primeira vez na vida que ele passava por algo assim.

– Você não queria que eu a conhecesse?

– Não, de forma alguma!!! – Pete sacudiu a cabeça imediatamente. Não era do modo como ele estava pensando. Ele não conseguia explicar, mas ele estava preocupado, só isso.

Ae olhou para a porta do banheiro na frente dele e puxou Pete para o vestiário perto dele.

– Ai’Pete …

– K… Khrub …

– Eu não sou tão bom mostrando boas maneiras na frente da sua família. Eu realmente não sei como agir. Eu nem mesmo sei como me aproximar deles, por isso eu não tenho certeza se sua mãe está bem comigo. – Ae estava falando sinceramente com ele sobre o que estava o preocupando desde que chegaram.

No fim das contas esse cara estava mais preocupado do que ele.

A mãe de Pete era o completo oposto da mãe de Ae. A mãe de Ae era uma típica dona de restaurante pequeno que era barulhenta e extremamente direta ao falar o que pensava. Ainda que a mãe de Pete parecesse legal, não sendo fresca e nariz empinado como a maior parte das mulheres da mesma classe que ela, ela parecia uma mulher que tinha vindo de uma boa família. Ela sempre tinha um belo sorriso, caminhava de forma arrogantemente elegante e tinha um tom de voz gentil.

Ela era a epítome da classe em todos os ângulos.

A única coisa que as mulheres tinham em comum era o amor incondicional por seus filhos.

Enquanto a mãe de Ae era do tipo direta, a mãe de Pete era profunda de seu modo, e do seu modo tinha lhe indicado que não ia recusá-lo na sua cara.

– … Eu vou dar o meu melhor para agir de modo certo na frente da sua mãe. – Ae não era do tipo que conversava de modo doce, ele também não sabia como conversar com adultos e possivelmente estava em desvantagem por causa de sua personalidade, mas mesmo assim ele ia dar o seu melhor apenas para o bem de Ai’Pete.

O cara mais alto sentiu aquilo bem profundo em seus sentimentos e pensou que talvez fosse chorar a qualquer momento quando assentiu para seu namorado.

– Eu também vou tentar fazer seus pais gostarem de mim, seu irmão e cunhada também, e sua sobrinha… Vamos trabalhar nisso juntos… Vamos dar nosso melhor. Eu não vou te desapontar.

Ae soltou uma risada leve antes de ficar quieto por um tempo.

– Você está rindo de mim? Eu fiz alguma coisa engraçada?

– De forma alguma… É apenas que, toda vez que eu te vejo dessa forma… Você parece tão fofo. O quanto você tem que se esforçar para tentar mais do que eu? Meus pais? Meu irmão? Minha cunhada? E também minha sobrinha? Você não acha que eu posso estar em vantagem sobre você dessa vez? – Ele estava rindo enquanto falava aquilo.

– Bem… Você também tem que fazer Par’Jew gostar de você, ela também é como minha família, e P’Nung também… e …

Pete estava tentando incluir todas as pessoas possíveis que sua memória conseguia enumerar, ele até mesmo incluiu o motorista de sua mãe, mas então acabou e ele se deu conta do quão pequena sua família realmente era.

– E quanto ao seu pai?

Ae perguntou aquilo rindo, mas o rosto de Pete ficou triste e ele balançou a cabeça.

– Nós realmente não precisamos falar sobre ele.

– B… – O Jogador de futebol quase perguntou a ele sobre aquilo, mas no momento em que viu o rosto de Pete ele se deu conta de que não devia perguntar sobre aquilo. Ele não queria deixar seu namorado desconfortável. Suas duas mãos estavam sujas, então ele decidiu apenas relaxar os ombros para que se tocassem.

– Ei, não me olhe dessa forma… Eu quero ver seu sorriso.

– Ae, Khrub.

– Agora vá pôr suas coisas na prateleira, senão você não vai terminar isso hoje. Você sabe, viver aqui sozinho quer dizer que você mesmo tem que tomar conta das coisas. Você não pode mais depender delas o tempo todo. Agora, se eu não ver esses livros na prateleira assim que eu terminar de carregar essas caixas eu vou ficar bem bravo com você. – Ae mudou de assunto, o que fez Pete começar a abrir aquelas caixas e começar a arrumar os livros nas prateleiras.

Antes que Ae pudesse sair do quarto Pete perguntou: – E se eu não souber fazer alguma coisa… Você vai me ensinar?

– Hmm?

– Err… Não importa. – Pete disse voltando a sua arrumação.

Ae, que ainda não tinha saído, sorriu e respondeu: – Não se preocupe… Eu vou te ensinar tudo. – Aquelas palavras fizeram o Jovem Mestre sorrir enquanto arrumava aqueles livros e Ae saiu do quarto para ajudar a carregar as caixas que ainda faltavam.

Apenas aquelas palavras eram o suficiente para fazer ele acreditar que tudo daria certo mesmo depois de todas as preocupações que ele teve depois que chegaram ali.

Não importa a dificuldade que ele estivesse passando, ele sabia… Ae não deixaria ele sozinho para resolver tudo.

Nenhum dos dois meninos fazia a menor ideia de que Khun’Putch havia escutado cada palavra da conversa deles. De primeira, ela tinha entrado no quarto de Pete para ajudar o filho a arrumar suas coisas, mas assim que ouviu a pequena conversa deles por trás da porta, ela começou a sorrir para si mesma.

Parece que seu pequeno passarinho, de quem ela tinha cuidado e protegido desde sempre, tinha encontrado alguém capaz de lhe ensinar a abrir as asas e voar por conta própria.

***

– Vamos jantar lá fora. Muito obrigada por vir hoje na jah, Ae. Você ajudou bastante hoje. Se você não tivesse vindo hoje nós provavelmente não terminaríamos de desempacotar as coisas de Pete tão rápido.

Agora eles estavam dentro de um restaurante chique não muito longe do apartamento de Pete. Sentados à mesa estavam Khun’Putcharapon, Par’Jew, Pete e claro, o homem do dia, Senhor Ae.

– É verdade Khun’Putch, se Nong’Ae não estivesse aqui nós não teríamos terminado tão rápido. Par teria que ter carregado todas aquelas caixas, deixado e voltado para pegar as outras para levar ao quarto de Khun’Pete. – Par’Jew concordou com ela. Ela estava amando muito o amigo de Khun’Pete. Ele era uma criança muito boa.

Khun’Ae tinha ajudado ela com tudo, desde carregar as caixas à colocar cada coisa em seu lugar. O pessoal que ela tinha trago com ela não sabia fazer nada. Ela continuava pedindo e pedindo para eles fazerem as coisas de uma forma, o que tinha chateado o seu dia.

– Err… rr… Khrub. – De fato, como ele disse, Ae não sabia como conversar com a família de Pete. Ele não sabia quando devia demonstrar gratidão, ser modesto ou dizer “obrigado”.

Por isso aquela tinha sido a única palavra que tinha saído de sua boca.

Pete teve que salvar ele disso.

– É verdade. Muito obrigado na Khrub, Ae. Sem você Pete teria tido bastante dificuldade para arrumar tudo. Eu não saberia onde colocar tudo por mim mesmo. – O Jovem Mestre tentou manter a conversa fluente.

Sem perceber, Ae acidentalmente arqueou a sobrancelha e falou em seu tom normal e direto.

– Mas sabe de uma coisa? Às vezes você tem que aprender a fazer coisas simples, sabia? Ninguém coloca coisas de limpeza no banheiro do jeito que você fez.

– Eehhh… – Pete fez uma cara de desculpa que fez Ae se dar conta do que ele tinha acabado de falar.

– Err… Me desculpe, Khrub. Eu não quis dizer isso. – Ae sentia como se tivesse acabado de cometer o maior erro de sua vida. Ele não devia ter dito qualquer coisa como essa, ele devia ter criado uma péssima impressão dele em frente as mulheres.

Ao contrário do que ele pensou, a mãe de Pete lhe deu um sorriso de aprovação.

– Você pode ensinar a ele sobre tudo, Ae?

– Khrub? – O Jogador de futebol olhou confuso para eles, que estavam sorrindo para ele.

– Pete nunca morou sozinho antes. Antes, eu estava tão preocupada com isso. Nós pensamos que ele ia acabar usando o apartamento como um depósito e ia acabar voltando para casa durante o dia. Mas então eu conheci você, Ae, hoje.

– …

– Eu estou tão aliviada. Acho que você pode tornar Pete uma pessoa mais forte do que ele já é. – Ela conhecia seu filho tão bem que ela não podia evitar se não ficar muito feliz por ter mais alguém na lista de pessoas que amavam seu Pete.

– Todo mundo pensa que o Khun’Noo é um homem perfeito. Ele é tão lindo que todo mundo acha que ele pode fazer qualquer coisa, mas na verdade ele mal sabe como cozinhar sopa de arroz com camarão. Eu ensinei ele a fazer isso uma vez e, quando ele finalmente aprendeu como fazer, ele ficou falando sobre isso por dias.

– Par’Jew, Khrub!!! – Pete arregalou os olhos, chocado, porque na verdade aquilo devia ser um segredo que ele nunca iria contar para Ae.

– Sopa de arroz com camarão?

– Isso mesmo. Par esteve pensando o que fez ele querer aprender a cozinhar isso. Ele nem mesmo sabia como descascar camarão para começo de conversa. Khun’Ae devia ter visto o rosto dele quando ele finalmente conseguiu fazer. Ele parecia uma criancinha que tinha acabado de ganhar um prêmio, acredita nisso? Um homem tão bonito fazendo uma cara tão feliz quanto uma criança. Eu ri muito dele.

– Par, Khrub. – Pete estava se sentindo tão envergonhado ouvindo Par’Jew contar essa história para Ae. A babá dele estava rindo muito.

– Eu disse alguma coisa errada na kha, Khun’Noo?

– Bem, tudo isso é verdade, mas… É tão vergonhoso, Khrub. – Pete não conseguia olhar para mais ninguém.

Ae olhou para ele, então sorriu. Ele queria tanto tocar aquelas bochechas, mas tudo o que ele podia fazer naquele momento era olhar para ele.

– Eu vou te ensinar como fazer essas coisas, então.

Pete olhou para o jovem sentado à sua frente, o que fez ele corar ainda mais.

– Eu amo sopa de arroz com camarão, muito… Descascar camarão é minha especialidade.

Pete se sentiu ainda mais envergonhado quando percebeu que Ae obviamente tinha notado que ele tinha começado a cozinhar por causa dele. Além disso, ele não conseguia deixar de pensar que seu namorado tinha dito algo de duplo sentido.

O modo como Ae estava olhando para ele o fez corar mais ainda.

Sem que os dois meninos percebessem, a conversa que os dois estavam tendo fez as pessoas na mesa sorrirem em seus lugares.

– Ae…

– Khrub?

– Por favor, tome conta do Pete por mim, nah?

Aquilo não sou mais do que como um simples pedido, mas Ae levou a sério.

– Khrub, eu vou cuidar muito bem dele.

Pete ficou imaginando porque a pequena conversa entre sua mãe e seu namorado o aquecia por dentro.

O que você quer dizer com isso mãe?

– Você vai dormir aqui hoje?

– Khrub… Eu quero ir me acostumando com o quarto nos próximos dias, então vou para casa no final de semana.

***

Agora os meninos estavam de volta ao apartamento caro. Ae estava deitado no sofá, exausto, e Pete estava sentado perto dele.

– Uhmmm… Isso é bom. Não use esse lugar como um depósito como sua mãe disse, seria um grande desperdício de dinheiro. – Ae foi bem direto. – Eu já estou indo, então você pode descansar.

– Não vá agora, por favor… – Pitchaya impediu o namorado de ir embora segurando a camisa dele bem forte enquanto fazia uma cara pidona.

Ae olhou para a mão de Jovem Mestre, então olhou para seus olhos.

– Err…

– Eu vou sentar e relaxar um pouco, então. – O Jogador de Futebol voltou a sua posição original. Ele não contou a Pete que o motivo dele ficar foi seu rosto e nem que estava envergonhado de ficar mais tempo. Ele estava se sentindo fedorento e grudento, ele apenas queria ir para casa e tomar banho.

– Khrub, Khrub…

Olhando para esse rosto bonito e seu belo sorriso, Ae encontrou mais motivos para ficar por mais tempo.

Agora, o que eles iam fazer? Eles já tinham esgotado todos os assuntos para conversar e ninguém estava falando nada dentro do quarto enorme. Ae parecia bem cansado da ajuda que tinha dado na mudança de Pete e acabou dormindo, sua respiração estava pesada e descompassada.

Pete, que não podia fazer nada quanto aquilo, se aproximou mais dele para encarar seu rosto.

Quem disse que esse cara não era bonito? Isso não era verdade. Se ele não era assim tão bonito, então por que Ae fazia seu coração bater tão rápido mesmo enquanto dormia profundamente?

Pete voltou a corar. Ele estava aproximando a mão para tocar a bochecha de Ae, mas então…

O jovem mestre pulou de seu lugar e foi para o banheiro do quarto, fechando a porta a porta atrás de si. Ele olhou para o espelho e encarou seu rosto vermelho.

Cara… Ele estava corando porque… Ele subitamente sentiu algo.

Pete apertou os lábios.

Lembrou dos olhos de Ae quando ele lhe disse que o ensinaria a descascar camarão… Do toque de Ae sobre todo o seu corpo, desde seus joelhos até seus ombros, e então suas mãos… A lembrança daquele toque o fez sentir algo.

E aquilo o atingiu…

Ae estava sozinho com ele em seu apartamento.

– !!!

Pete colocou a mão dentro da calça e tocou sua parte sensível enquanto pensava em Ae.

Você é tão sem vergonha… Que sem vergonha, Pete… 

Ele tentou parar de pensar naquilo, mas não adiantou de nada. A lembrança de Ae suando… Seu olhar confiante… Seu tom de voz baixa dizendo para sua mãe que tomaria conta dele…

Tudo aquilo estava tomando sua sanidade ao mesmo tempo.

Pete começou a respirar de forma pesada e usou sua outra mão para enfiar dentro da camisa e tocar seu mamilo rosado. Olhou para o chão enquanto parte de seu corpo começava a se sentir quente.

Ambas as suas mãos estavam trabalhando em sincronia.

– Ae… Khrub… Uhm… Ae… – Ele estava ofegando, mas então…

Toc! Toc! Toc!

– !!!

– Ai’Pete, você está aí?

Pete olhou para porta em choque.

Oh não… O que eu deveria fazer???