Ponto de vista do Pete
Hoje era o dia que marcava o início das atividades da semana acadêmica dos calouros.
Eu deveria estar me divertindo com minha participação junto de maus colegas, mas minhas
preocupações sobre um certo alguém ficam rondando e rondando minha cabeça, tanto que eu
nem lembro de como fui parar no meio do estande com os outros. Para minha sorte as
atividades foram exatamente como P’Money disse que seriam. O Programa Internacional não
leva isso tão a sério quanto os outros departamentos, onde os alunos estão sentados quase
totalmente retos, em fileiras, bem alertas para quando chegar suas vezes.
Se fossemos fazer algo desse tipo eu estaria completamente perdido.
Outra coisa boa sobre nosso departamento é que nossas atividades terminam no fim do
dia, depois daquilo eu estava livre para ir.
Alguns veteranos pediram para nós ficarmos para ver o resto dos competidores, eles
disseram que o melhor era o final, quando soltavam fogos de artificio, todos iam amar ver o
grande final. Acontece que a maioria de nós decidiu ir para casa, já que ainda ia demorar
muito para todos os programas se apresentarem. Eles disseram que ainda ia ter uma outra
apresentação do departamento de música, mas que só a apresentação deles já ia demorar
muito.
— Nong’Pete kha. Você já está indo? Por que não se junta a nós ao invés disso, minha
querida tortinha? — P’Money está segurando meu braço, eu só consegui dar ela um sorriso
estranho.
— OMG, Sis! Você não reparou nem um pouco na expressão de Nong’Pete? Como
você ousa forçar um cara bonito assim? Você está arruinando a reputação das LadyBoy
instituída nessa faculdade agindo assim na kha.
— Hei! Eu não estou forçando ninguém!
— Então você está fazendo o que segurando o braço dele assim?
— Tss!! Nong’Pete kha, eu não estou forçando você, estou? Você pode ir embora
quando quiser. Pode me ligar depois. Sem magoas. — P’Money discute com outra menina de
sua gangue LadyBoy antes de voltar a falar comigo.
Eu realmente nem queria ter vindo, para começo de conversa, mas… O motivo pelo
qual eu realmente queria participar era que eu queria muito ver Ae no estande.
Minha pergunta saiu em palavras corridas.

— P’Money, quando o departamento de Engenharia vai se apresentar? — Voltei a
encará-la e ela olhou na programação que segurava.
— Deixe me ver… Engenharia… Engenharia… Oh! Você pode perguntar para o
pessoal que está vindo ali.
Acho que já tenho minha resposta.
Do nada, um barulho alto e poderoso de uma chamada veio da entrada, fazendo com
que todos olhassem para lá ao mesmo tempo em que o pessoal entrava.
É como se tivesse uma armada de estudantes da engenharia marchando. Na frente, os
veteranos vinham usando a clássica jaqueta da Engenharia enquanto eram seguidos por uma
multidão de calouros, que vinham segurando as mãos um dos outros e eram intercalados entre
garotos e garotas com olhares sérios. Ninguém estava falando enquanto os veteranos pediam
para ninguém bloquear a entrada enquanto eles entravam.
Os calouros começaram a gritar “Permanecemos na Fronte! Permanecemos na Fronte!
Permanecemos na Fronte…!” Bem alto e de modo sincronizado. Todo mundo que estava
assistindo à apresentação sentiu frio na espinha. Todos eles estavam marchando de modo
alinhado e perfeito.
Wow! Olha só para eles.
Não estamos falando de um pequeno grupo de pessoas marchando, estamos falando de
várias pessoas em um único grupo que está invadindo o lugar.
— Whoa… Aqui vem eles… E a maioria são homens. — P’Money diz. Desses
estudantes, quase 80% são meninos e só eles já são quatro quintos de todos os estudantes dos
estandes das faculdades que já se apresentaram. — Como você pode ver, Nong’Pete, a
faculdade de Engenharia é a maior que temos no campus. E ainda assim eles conseguem
controlar todos os seus calouros para vir de modo sincronizado. Oooh! É como se eu estivesse
vendo um desfile militar ou algo assim. O sistema SOTUS deles deve ter trabalhado muito
duro para essa competição. — Meus ouvidos estão escutando P’Money criticamente, mas
meus olhos estão olhando para outra pessoa …
Certo… Aqui está ele…
Não faço a menor ideia de como o encontrei no meio desse mar de pessoas e também
não sei o que pensar dele. Para mim, ele é a pessoa mais segura de si no meio do estande. Ele
está brilhando com seu estilo de cabelo e uniforme de torcida, ele está muito bem no meio de
seus amigos e parece muito bom no que faz.
Cara! Ele é realmente a pessoa perfeita para mim.
E… Eu realmente sinto muita falta dele.

— Aquele menino baixinho, moreno e rústico é da Engenharia não é Nong’Pete?
Nossa, nossa… Você vai demorar um tempão para encontrar ele no meio de todo mundo. —
P’Money fala, eu apenas concordo com ela. Não vou dizer que na verdade já encontrei Ae
desde o começo da performance.
E mais do que isso, não vou dizer a ela como sinto falta de Ae.
Eu nunca senti tanta falta de alguém assim na minha vida.
Eu quero correr e olhar para ele de dentro do estande…
Como eu queria falar com ele.
Eu quero perguntar como ele tem estado esses dias…
Eu quero apertar meus braços ao redor dele e o abraçar…
Mas eu estou com tanto medo… Tanto medo…
Nós não temos nos visto por dias agora. Fico pensando se Ae já não descobriu que tem
sentimentos por Nong’Chompoo. Só de pensar nos dois perto um do outro me faz sentir como
se eu tivesse sido apunhalado pelas costas.
Tudo o que eu posso fazer é disfarçar minha tristeza e olhar para ele com um sorriso
falso de onde estou. Não há nada que dê para se fazer com a tristeza ou o ciúme que tenho por
ter decidido deixar de vê-lo… Eu quero que Ae tenha alguém que consiga ver o cara legal que
ele realmente é.
Ele merece se apaixonar por uma garota.
Apenas isso já machuca demais meus sentimentos.
Mesmo que ser gay não seja uma coisa errada para Ae, eu prefiro que ele, com sua
personalidade forte, fique longe dessa sociedade cruel. É muito melhor assim.
Eu sou gay e esses últimos meses antes de conhecer Ae foram como um inferno.
Minha sexualidade estava me ferindo. Eu ficava doente só de pensar em como meus pais iam
reagir quando descobrissem a verdade, principalmente minha mãe. Eu não queria desapontar
ela. Ela é tudo o que eu tenho. Descobrir a verdade sobre mim ia definitivamente partir seu
coração…
Eu vivia dias e noites de puro medo.
Meu medo me dominou e não tinha escape disso. Eu não tinha ninguém para quem
correr, ninguém com quem conversar. A ideia de ser olhado de cima como se eu fosse uma
criatura inferior… Alguém que não era normal, alguém que estava fazendo algo errado na
frente de pessoas normais… Aquilo me aterrorizava.
Eu sei qual é o sentimento de ser rejeitado pela sociedade e eu não quero que Ae passe
pelas mesmas coisas que eu.

Ae não mentiu para mim. Aquele fim de tarde quando ele me beijou, ele disse a
verdade. Seus sentimentos por mim vinham da proximidade que tínhamos e eu estava grato
por aquilo. Mas agora, eu não acho que deveria estar.
Eu não aguentaria se ele tivesse que passar pelas mesmas desgraças que eu.
Eles dizem que homossexualidade é mais bem aceita nos dias de hoje, mas, qual é…
De verdade, quantos pais aceitam seus filhos de coração aberto quando descobrem que têm
um filho que é gay? Quantos familiares vão aceitar eles de braços abertos? De alguma forma,
ainda estamos vivendo em uma sociedade preconceituosa… Uma sociedade onde o gênero
importa sim… Uma sociedade onde ser diferente é a pior coisa que se pode ser…
Nós ainda precisamos nos preocupar com quem somos. Dependendo da pessoa com
quem estamos, nós nos preocupamos mais ou menos…
Se houver qualquer possiblidade de Ae começar a gostar de uma garota, então eu vou
apoiar ele não importa o que, porque ele não merece sofrer o que eu sofri. Ele não merece
estar no meio desse caos.
Apesar de toda essa tristeza indulgente me dominando, uma parte de mim está grata
por ter visto ele.
Nong’Chompoo chegou bem a tempo. A proximidade dela vai acabar com a confusão
de Ae sobre ser gay ou não de uma vez por todas. Ainda não é muito tarde para ele, ao
contrário de mim que já sei quem sou desde o começo.
Droga! Isso é tão louco… Eu vou chorar de novo.
Eu estava tremendo muito no momento em que senti a enxurrada de lágrimas nos
meus olhos. Eu intencionalmente evitei ver Ae nesses últimos dias porque eu achei que pelo
assim a dor não ia ser tão grande.
Ae já me ajudou mais que o bastante. Agora é minha vez de fazer algo por ele.
— P’Money Khrub… Eu acho que já vou indo agora.
P’Money ajeitou seus óculos e disse: — Oh, eu achei que você ia esperar para ver seu
amigo na kha. O pessoal da Engenharia vai terminar a apresentação logo-logo.
Apenas sorri para ela e acenei com a cabeça.
— Eu acho que não. Tem tantas pessoas aqui, vai ser muito difícil encontrar ele. Eu já
vou agora, te vejo depois nah Khrub… Sawadee Khrub.
Fiz um waii para P’Money antes de dar uma última olhada em Ae e ir embora. Eu já
estava no portão quando ouvi o pessoal de Engenharia terminar a apresentação e chorar de
alivio.

Parei ali mesmo perto do portão e fiquei olhando para o pessoal da Engenharia sair do
meio de estande um por um. Eu não consigo mais olhar para o rosto de ninguém. Fecho meus
olhos quando os alunos da Engenharia começam a passar por mim para sair, de alguma forma
aquilo é bom, porque eu posso sair atrás deles.
Solto um suspiro profundo.
Tem tantas pessoas aqui que não tem a menor chance de nos esbarrarmos por acidente.
Digo a mim mesmo que está tudo bem e de alguma forma consigo me animar.
A brisa aqui fora está tão boa.
Os estudantes de Engenharia já estão bem longe agora. Eles já foram embora.
E quanto a mim… Tudo o que sobrou foi o sorriso triste que coloquei no meu rosto.
Isso doí.
Andei um pouco por aí antes de decidir voltar para casa e de alguma forma acabei indo
parar no campo de futebol. Como todo mundo está usando o ginásio, esse lugar está
completamente vazio.
Hunf…
— Continue chorando como um bebê Ai’Pete … — É apenas o campo de futebol, eu
sei disso…, mas tem tantas memórias aqui que isso me faz chorar sem parar. Esse lugar me faz
lembrar de Ae jogando por aqui.
Droga! Isso é tão maluco… Eu realmente não consigo parar de chorar agora.
— É melhor ir para casa agora Pete… Vamos… Vamos para casa… — Digo a mim
mesmo, mas acabo sentado com o rosto escondido nos joelhos, chorando sem parar.
Isso de Ae ficar com uma garota está me torturando e eu realmente não consigo
aceitar. Primeiro eu fiquei me dizendo que nós podíamos ser só amigos, mas no fim eu acabei
discordando. Eu queria mais de Ae e depois que ele me disse o que sentia por mim eu não
consegui mais me segurar. Eu fiquei chorando sem parar agarrado aos meus joelhos.
— Por que você está fugindo de mim Ai’Pete?!
— !!!
Eu ouvi alguém correndo na minha direção, mas antes mesmo que eu pudesse me virar
para ver quem era eu fui agarrado pelas costas e levantado. A voz da pessoa parecia muito
irritada e tremida. De primeira, eu fiquei assustado e confuso com o que estava acontecendo,
porque fui pego de surpresa, então me dei conta de quem era a pessoa irritada que tinha
acabado de aparecer.
Fiquei chocado.
— Ae.

— Sim, eu! Algum problema com isso?! — Ele estava ofegando muito e sua camisa
estava coberta de suor.
Ele está tão assustador agora, mas eu não posso sentir medo dele. Depois de tudo, ele é
a pessoa que eu estive esperando para ver.
Ponto de vista do Ae
Eu estou tão bravo… Tão fudidamente bravo.
Eu achei que finalmente ia ver ele depois da competição e da apresentação do estande
da Faculdade Internacional. Vi ele no momento em que meu estande entrou para se
apresentar, ele estava assistido à nossa apresentação.
Ai’Pete não faz ideia do quanto ele brilha. Eu tentei fortemente olhar para frente e
continuar gritando nosso grito de guerra bem alto, mas eu continuei olhando para ele pelo
canto dos meus olhos. Ele estava olhando diretamente para mim. Mas então ele começou a
tentar ir embora e aquilo encheu meu coração de medo. Eu não sabia o que fazer. Como eu
desejei que a competição tivesse acabado naquele momento.
Quando nós terminamos todos começaram a sair em ordem junto com o estande e
aquilo só me deixou mais louco. Eu estava tentando achar um jeito de deixar nosso grupo,
mas os veteranos estavam nos bloqueando. Levou um tempão até que eles nos liberassem para
ir.
Eu corri o mais rápido que pude até o portão de saída, mas ele não estava mais lá. Eu
tentei ligar, mas seu celular estava desligado. Eu não fazia a menor ideia do que fazer, então
uma voz dentro de mim começou a gritar para eu vir para o campo de futebol.
Eu pensei que, caso eu perdesse ele hoje de novo, eu ia o esperar no portão da
Faculdade Internacional na segunda—feira de manhã.
Mas parece que o destino decidiu ficar ao meu lado hoje. Eu vi um cara alto e magro
parado perto do campo de futebol. Eu caminhei bem devagar para perto dele, mas então ele
sentou e agarrou seus joelhos, então eu voltei a correr. Naquele momento a única coisa que eu
consegui fazer foi agarrar ele firmemente para nunca mais o deixar ir embora.
Eu não vou mais deixar você fugir de mim…
Ele olhou para mim um pouco chocado, mas no fim das contas eu fui o único que
fiquei chocado ao ver seu rosto coberto de lágrimas.
Mas que inferno! Não! Não me diga que você já sabia que eu ia gritar com você? Por
que diabos você já está chorando em vantagem?
— Ae… Onde você está me levando?

Eu estou segurando ele, então o puxo para irmos em outra direção. Eu não ligo mais se
ele está chorando, chutando ou fazendo nada, eu só quero levar ele para um lugar onde
ninguém mais vai nos ver. E esse lugar é do outro lado do campo, onde ninguém vai aparecer
para nos ver acidentalmente.
— Me diga Ai’Pete, por que você está se escondendo de mim? Me diga agora antes
que eu fique com raiva de você! — O empurro contra uma árvore enquanto seguro seu
colarinho. Eu estava olhando para ele com meu olhar assustador, então ele desviou o olhar. —
Olhe nos meus olhos Ai’Pete… — Eu não ligo se isso o faz se sentir desconfortável, porque o
modo como ele tem agido já me deixou desconfortável demais para que eu me segure agora.
Se eu não fizer Ai’Pete falar o motivo agora eu vou beijar a bunda de Ai’Pond.
— Eu… Eu não sei.
— Mas que droga Ai’Pete…. Por quê? Por que você está fazendo isso comigo? — Eu
estava gritando com ele com a voz que meus amigos dizem que é assustadora e isso só o fez
desviar mais o olhar.
Então eu usei ambas as mãos para segurar seu rosto, forçando ele a olhar para mim.
Ele parece tão pálido agora enquanto balança a cabeça, se recusando a me responder.
— Não é nada, é sério.
— Se você não me disse o motivo agora, eu vou te beijar!
É um motivo muito sem noção, eu sei! Eu não devia ter ouvido a sugestão de Ai’Pond.
Eu não consigo acreditar que eu disse isso na frente dele. Cara! Eu não sou um ator de
uma série tailandesa que está ameaçando a atriz com um beijo. Mas eu não consigo evitar. Se
isso consegue fazer com que Ai’Pete abra os olhos em choque, então eu estou certo de que
isso vai fazer ele abrir a boca.
Ai’Pond estava certo. Essa coisa realmente funciona. Esse idiota esteve me falando
dessa técnica por dias a fio.
Ok! Aqui vou eu!
Aproximo meu rosto do dele. Eu realmente quero tocar esses lábios com os meus, eu
sinto tanta falta desses lábios… Merda! Eu estava aproximando mais e mais nossos rostos
agora e isso o fez ficar mais e mais pálido a cada minuto.
Pete cobriu minha boca com a mão e começou a balançar a cabeça. Então ele disse
algo que eu nunca esperei ouvir.
— Você não deveria fazer isso… Você deveria beijar uma garota. Não um gay como
eu! — Ele está prestes a chorar de novo.

Quanto a mim, eu estou confuso. Eu não faço a menor ideia do que ele quer dizer. Nós
já nos beijamos antes e ele pareceu bem com isso. O que aconteceu agora, ele não está mais
bem com isso?
— Do que você está falando?
— Devia ser Nong’Chompoo, Ae… Você devia fazer isso com Nong’Chompoo… Não
comigo.
— Mas Chompoo não é minha namorada.
— E eu também não sou seu namorado.
— Ai’Pete… Eu já te disse antes que o que eu sinto por você é mais que amizade! Por
que você não consegue entender isso?!
Eu nunca pretendi gritar com ele desse jeito, mas eu estou tão bravo agora. Eu já disse
a ele como eu me sinto. Eu disse tudo, mas agora ele fica me empurrando para cima da
Chompoo de novo e de novo. Por que minhas palavras o deixaram tão atordoado assim? Eu
achei que isso fosse fazer ele corar feito louco como sempre, mas invés disso… Ele está
chorando.
Ai’Pete está chorando.
Ele está chorando de verdade, sério. Ele não está apenas deixando as lágrimas rolarem,
ele está cobrindo o rosto com as costas das mãos enquanto tenta segurar as lágrimas como
uma criança.
— Ae… Não… Não diga isso… choro… Você não devia… Não devia pensar em mim
desse jeito… choro… Entre nós dois… choro… Nós só estamos próximos demais…
choro… Ae deveria amar uma garota… Não… Não… choro… Não um cara gay… Como…
Como… Eu… choro… Você deveria… Ficar próximo da Hong… choro… Dela… Não de
mim… choro… Devia beijar ela… choro… Não eu… Você devia cuidar dela… choro
Não de mim… Não devia ser eu… choro
Eu deveria estar bravo por ele continuar tentando me empurrar para ela, mas por que
eu sinto que ele está sendo torturado pelas próprias palavras? Como eu posso deixar ele se
sentir assim por conta própria? Eu não posso… E eu nunca vou poder.
— Ae… Você só está confuso… Você ainda tem… Tempo… choro… Não… Não se
machuque… choro… Do mesmo jeito que eu… choro… Eu não quero que ninguém…
choro… Te chame de… choro… Bichinha… choro mais intenso
— Eu realmente quero te matar agora, sabia? Você pelo menos pensou nessas coisas
antes de me dizer? — Eu não posso mais escutar ele. Eu não posso mais ver ele se quebrando
desse jeito. Eu só podia abraçá-lo, mesmo que ele estivesse tentando me empurrar. Aperto ele

mais forte. Deixei-o chorar no meu ombro enquanto comecei a falar com minha voz calma
dessa vez.
— Eu não sei o que esses filhos da mãe fizeram com você para te assustar tanto assim,
mas… Eu estou te dizendo agora Ai’Pete. É verdade… Eu sou um cara e eu deveria estar
saindo com uma mulher… — Consigo sentir todo meu corpo tencionar… Ele está agarrando
minha camisa com muita força então eu tenho que falar mais rápido. — Mas eu gosto de
você… E isso é porque você é você… Não tem nada a ver com você ser um garoto ou uma
garota. Você não tem que se preocupar com esses bastardos me chamando de Bichinha ou
qualquer coisa assim um dia desses. Eu não sei a diferença dessas coisas, de qualquer forma.
Tudo o que eu sei é que eu gosto de você. Eu não gosto de qualquer outro cara. Mas se gostar
de você me faz gay, então que seja. Eu não ligo.
Eu não tenho certeza se ele está entendendo meu ponto, mas é a verdade. Eu só
consigo gostar dele. Eu não consigo me imaginar abraçando e beijando qualquer outro cara.
— Além disso, eu já rejeitei a Chompoo.
— Ae, Khrub… — Pete olha para mim com seu rosto todo sujo de lágrimas.
Uso minhas mãos para limpar suas lágrimas.
— Eu já disse a ela que não posso ser namorado dela. Nós nem nos conhecemos, para
começo de conversa, e ela já vem me pedindo em namoro? Não mesmo. Eu não sou o tipo de
cara que faz isso. — Eu não estou dizendo tudo para ele. Ela disse que ia achar um jeito de
nos conhecermos melhor. Ela disse que ia continuar vindo me ver, por isso ela tem aparecido
na cafeteria todas essas manhãs. — É sua vez agora… Pode me dizer agora? Por que você tem
fugido de mim? — Volto à primeira pergunta. Eu estou perguntando isso a esse cara bonito na
minha frente. HAHAHA. Na verdade, ele não está nada bonito agora. Seu rosto está
completamente sujo pelas lágrimas.
Ai’Jovem Mestre Lindo olha para longe e olha para o chão.
— É por que… Eu estou com inveja dela.
— Inveja dela? O que ela tem para você a invejar? — Eu não entendo. O que ela tem
para ele sentir inveja?
A resposta dele me deixa desnorteado.
— Estou com inveja da Chompoo porque ela pode dizer o quanto gosta de você…, mas
eu nem mesmo tenho coragem de dizer que… Eu gosto de você… Muito mesmo… Tanto que
eu estou morrendo.
Ai’Pete está coberto de lágrimas de novo. Elas estão fluindo do canto dos seus olhos
para as bochechas. Ele olha para dentro dos meus olhos e diz aquelas palavras mais uma vez.

— Eu realmente gosto de você Ae… O que eu devo fazer?

Ponto de vista do Pete
Eu fiz…
Eu finalmente disse a Ae o que sinto por ele.
Eu estou tão acabado.
Depois de ouvir isso, Ae parecia desnorteado e sua reação me assustou. Eu não sei o
que ele está pensando. Por isso tudo o que eu faço é olhar para o chão enquanto aperto meus
lábios bem forte. Tomei bastante ar antes de tomar coragem e dizer tudo em voz alta.
Literalmente tudo.
— Eu gosto de você Ae. Eu gosto de você desde a primeira vez em que nos vimos…
Você pode pensar que eu sou uma pessoa muito fácil por dizer isso para você…, mas… Eu
realmente gosto de você Ae.
— …
— Você é meu herói, sabia disso? Você sempre vem e me salva quando estou com
problemas… Você me faz corajoso. Corajoso o suficiente para lutar por mim mesmo… Por sua
causa, eu não sou mais o covarde fraco que fugia o tempo todo, o fraco que chorava
facilmente e se escondia em algum lugar sozinho toda vez que ficava triste…
— …
— Quando eu estou com você pausa, eu sempre estou feliz… Muito feliz e
preocupado de que isso esteja tomando demais de mim.
— …
— Eu sempre sinto sua falta… Eu realmente sinto sua falta… Tipo, o tempo todo…
Todo o tempo…
Olho para seu rosto e tento mostrar a ele meu melhor sorriso. Meu corpo todo está
tremendo. Eu não sei o que fazer depois disso.
Ae… Diga alguma coisa!
O céu está ficando escuro agora e Ae ainda está me encarando. Esse par de olhos
pretos está me acalmando e me fazendo ficar desconfortável ao mesmo tempo.
Então ele se aproximou de mim.
— Ae Khrub.
Chamo seu nome gentilmente. Meu coração começa a bater muito rápido quando ele
toca minha bochecha e seca minhas lágrimas gentilmente. Normalmente ele faria isso de

modo meio rude, não tão gentilmente quanto está fazendo agora. Dessa vez é diferente. Ele
limpa minhas lagrimas gentilmente, então segura meu rosto com ambas as mãos.
Eu posso sentir o calor do corpo dele cada vez que ele chega mais perto de mim. Antes
que eu percebesse nossos lábios já tinham ocupado o espaço que nos separavam. Ele não fez
qualquer sinal ou me deu qualquer aviso. Nós apenas nos beijamos. E é a terceira vez que
fazemos isso.
Ele começa a tocar minha boca toda com sua poderosa língua, me fazendo sentir tonto.
Todo meu corpo está em estado de choque. Minhas mãos congelaram, mas meus lábios
começaram a pegar fogo no momento em que os lábios de Ae tocaram aos meus.
Tudo o que eu consigo sentir são nossos lábios se tocando. Ae me empurra contra uma
árvore e me faz sentir completamente tonto quando de repente sua língua lambe meus lábios.
Fecho meus olhos sentindo medo e excitação ao mesmo tempo.
Eu não sei o que pensar ou o que fazer.
O beijo de Ae é rude e molhado, mas ao mesmo tempo é gentil o bastante para me
fazer derreter. Sinto como se eu fosse um sorvete ao qual ele está saboreando com a língua.
No momento em que sua língua chegou à minha boca eu tremi inteiro.
— Abra um pouco sua boca, nah Khrub. — Ele murmura entre um suspiro, mas é alto
o suficiente para eu ouvir. Droga! Eu não consigo mais raciocinar. Eu só abri minha boca e
deixei-o penetrar ela com sua língua.
Agarrei as costas da sua camisa para usar como suporte. Eu sinto como eu estivesse no
banco da frente da montanha russa com todas essas borboletas voando na minha barriga.
Pode até soar meio engraçado, mas eu nunca soube que um beijo podia causar esse
efeito estranho em uma pessoa tão loucamente apaixonada… Como eu.
É normal o coração bater como se estivesse prestes a sair do seu peito? Se eu não
estivesse agarrando a camisa de Ae para me dar suporte eu com certeza cairia no chão nesse
momento.
— Uhmm… — Eu consegui ouvir minha própria voz vindo de lugar nenhum quando a
língua de Ae tocou a minha. Suas mãos estão tocando tudo o que ele pode alcançar, meu
cabelo, minhas bochechas, minha boca, meu peito, minha cintura… Ele me faz… Droga! Eu
mal consigo pensar!
Não faço a menor ideia de quanto tempo ficamos lá, nos beijando. O tempo parou para
nós e não vimos o mundo rodar ao nosso redor… Então nós paramos e eu finalmente sento no
chão.

— Ai’Pete! — Ae me segurou a tempo. Eu me sinto tão fraco que não consigo mais
me aguentar. Eu não tenho mais forças em mim nem para me manter sobre minhas pernas.
— Eu… Eu… err… Eu… — Merda! Minha língua também está entorpecida! Eu não
consigo dizer uma única palavra.
Sinto a mão quente de Ae tocar gentilmente minha cabeça antes dele se abaixar e
sentar perto de mim. Ouço-o murmurar algumas palavras, sem tirar as mãos de mim.
— Eu não vou pedir desculpas por te beijar, porque eu realmente quis muito te beijar.
Eu posso simplesmente morrer aqui? Meu coração está prestes a sair do meu peito a
qualquer momento.
E isso não é tudo.
As próximas palavras que vieram da boca de Ae quase me transformaram em poeira.
— Seus lábios são tão doces.
DROGA!!!
Eu não consigo olhar nos olhos deles.
Estou tão tímido.
Tão malditamente tímido…

Demorou cerca de quinze a vinte minutos para eu me recompor.
Ae não disse uma palavra depois daquilo. Ele não comentou sobre a escuridão nos
cercando ou os mosquitos nos usando como alimento. Ele apenas sentou perto de mim sem
dizer nada. Eu não sei, mas talvez ele só esteja esperando eu iniciar a conversa.
Tomo bastante ar antes de dizer minha primeira palavra depois do beijo.
— Ae Khrub…
— Hum?
— Ae… Você pode, por favor, não deixar essa oportunidade passar?
— Como assim?
No começo, eu esqueci que antes eu não era capaz de dizer tudo aquilo que disse a ele
mais cedo, todos os pensamentos que tive até agora. Mas hoje estou falando com um sorriso
leve, apesar do medo crescendo dentro de mim.
— Sobre Nong’Chompoo… Eu não quero que você a rejeite completamente… Eu
quero que você abra sua mente. Se tiver alguma chance do Ae gostar de uma garota, então
você deveria ficar com ela ao invés de se envolver com um cara como eu. Eu sei que você
ainda não está certo sobre seus sentimentos, então eu quero que você abra sua mente. Por

favor, não a julgue imediatamente porque sente pena de mim. Pense em você mesmo também.
Antes de tudo, eu só quero que Ae seja feliz.
Eu não estou usando meus motivos antigos para dizer isso a ele, só quero deixar as
coisas claras para Ae. Eu quero que ele entenda a situação antes de pular de cabeça nessa
decisão que ele fica me dizendo.
De repente Ae usa a mão para bagunçar meu cabelo.
— Eu não sou um cara complicado Ai’Pete, mas… Me diga, dessa vez você não está
me empurrando para cima dela, não é?
— Khrub, eu quero que você abra sua mente para ela… E para mim… — Digo
suavemente.
— Então você está me dizendo que, antes de tomar a decisão final de que quero te
beijar, abraçar, e apertar suas bochechas, eu também tenho que considerar fazer essas coisas
com Nong’Chompoo?
Eu sei que ele está sendo sarcástico apenas pelo seu tom, mas concordo mesmo assim.
Ae põe os braços ao redor dos meus ombros.
— Agora estou começando a me questionar se realmente gosto de você.
— Mesmo? Mas eu só…
— Eu sei, eu sei. Você não quer que eu me machuque do jeito que te machucaram. Eu
entendi… Você é tão gentil e otimista, sabia disso? Mas você já se deu conta de que ao fazer
isso, ao invés de me fazer gostar de uma garota, você está me fazendo gostar mais de você?
— Ae sorri depois de me dizer isso. Ele balançou meu corpo como uma criança e depois
olhou para rua vazia a nossa frente.
— Eu prometo… Eu vou abrir minha mente como você pediu, mas até ter certeza de
alguma coisa eu não vou fazer nada quanto a isso, e isso é tudo… Além disso… Eu acho que já
é muito tarde para mim agora, mas vou fazer isso… Porque você me pediu.
Eu ainda não consigo olhar para Ae. Eu estava evitando seu olhar, mas então ele se
levantou e me ofereceu a mão.
— Vem, vamos jantar. Eu estou com tanta fome agora. Vamos procurar alguma coisa
para comer. — Ae está mostrando seu sorriso para mim de novo. Por que o sorriso dele
balança tanto meu coração? Não me pergunte. Eu não sei. Tudo o que eu consegui fazer foi
estender minha mão para ele e deixar ele me puxar com sua mão firme.
Ele continuou segurando minha mão durante todo o caminho para cafeteria.
— Não ouse se esconder de mim de novo, entendeu?
— Não vou mais, eu prometo. — Respondo levemente.

O mesmo sentimento que tínhamos volta assim que jantamos juntos. Ae não
mencionou Nong’Chompoo durante todo o tempo, seu nome não surgiu durante toda a
conversa que tivemos. Ele falou de si mesmo, sobre tudo o que aconteceu nesses últimos dias,
falou sobre sua sobrinha, Pond, suas aulas, etc. Nós conversamos como se não tivéssemos nos
falado por meses.
Eu estava tão imerso no que ele dizia que nem percebi quando chegamos ao local de
competição de torcida.
— Sabe de uma coisa? Nós chegamos bem há tempo.
Isso mesmo, nós chegamos bem a tempo de ver o departamento mais popular
apresentar seu estande. Nós passamos pela multidão de alunos até chegar aos lugares da
frente. Não faço a menor ideia de como Ae fez para chegarmos até aqui.
Todo mundo está cantando a música da universidade muito alto, as vozes estão
fazendo o local todo e meu corpo vibrarem. Tem um monte de pessoas se espremendo para
chegar aos lugares da frente, mas tudo o que eu consigo sentir é o calor da mão de Ae.
Ele não se vira para me olhar enquanto nos esgueiramos pelo nosso caminho, mas
nossas mãos permanecem unidas com nossos dedos entrelaçados para termos certeza de que
não vamos ser separados pela multidão de alunos no estádio.
Com todas essas pessoas ao redor de nós, quem ia pensar que nossas mãos estavam, na
verdade, unidas por baixo dessa multidão?
Essa é a única coisa que podemos fazer sem que ninguém perceba… Quanto a mim, eu
acho que esse gesto é mais doce do que qualquer outra palavra que ele poderia me dizer.