“Ei Mork! Que horas a oficina de motos do seu tio fecha?”

“Uhmm… Fecha às oito. Por que, mano? Você precisa de ajuda?”

“Minha lanterna traseira está estragada pra cacete. Piscou e de repente morreu de vez.”

“Ow, você quer deixar eu dar uma olhada primeiro?”

“Não brinca, você conserta esse tipo de coisa?”

“Lógico mano, eu tenho formação em eletrônica. Posso consertar qualquer equipamento eletrônico. Vamos, deixa eu dar uma olhada nisso.”

Eu me levanto do banco e vou até minha motocicleta para pegar um mini kit de ferramentas que sempre deixo no baú embaixo do meu banco, antes de ir direto ver a moto de Fueng. Mais velho que eu, ele é meu colega de trabalho na estação de moto táxi na esquina da rua secundária para a rua principal. Eu sento e rapidamente começo desparafusar a lanterna traseira.

“Olha só, você parece experiente. Que profissional.”

Fueng me elogia enquanto eu afrouxo a luz defeituosa do seu soquete. Eu ergo para olhar dentro e ver se o filamento está quebrado. Esse é o primeiro e mais fácil item da lista de checagem quando um bulbo de luz falha.

“Mano, eu já te de disse, eu sou técnico em eletrônica. Esse tipo de coisa pra mim é moleza.”

O filamento está intacto, apesar do bulbo parecer velho, eu estou certo de que não foi o filamento que falhou. Eu toco minha chave de fenda que também é um testador de eletricidade, na guia de contato de força dentro do soquete para checar a eletricidade.

“Então por que diabos você pilota um moto táxi? Podendo abrir a porra de uma oficina mecânica, ou ser um ajudante geral em uma fábrica.”

O diodo na minha chave de fenda não acende. Eu tento de novo e tenho o mesmo resultado. Então o problema deve estar nos cabos interiores ou no conector de energia do soquete traseiro. Eu coloco minha chave de fenda de volta no mini kit de ferramentas e me viro para Fueng.

“As fábricas pagam pouco, eu estou ganhando mais dinheiro como moto táxi. Eu não tenho como custear uma oficina também. Eu não tenho tantas economias assim. Ah, e o problema da sua moto deve ser os fios ou o conector de eletricidade. É melhor você visitar uma oficina. Eu não tenho as ferramentas necessárias para consertar isso.”

“Oh, eu acho que vou lá agora. Seu tio tá sempre nessa oficina, não é? Vou mandar ele consertar pra mim.”

Ele disse isso e logo se levantou para pegar seu capacete.

“Espera, o quê… o quê? É sua vez agora, também. Você está finalizando o dia já?”

São só quatro da tarde, e nós deveríamos trabalhar até às nove. E no fim da tarde quando as pessoas estão deixando o trabalho é quando a estação de moto táxi fica mais agitada. É também a hora que define se vamos ganhar dinheiro – suficiente para viver – ou não.

“Eu não quero pilotar sem minha lanterna traseira no escuro. Além disso, eu tenho que passar para pegar a Miss Ai hoje e não quero arriscar.”

A última parte da frase de Fueng soa como uma mistura de vergonha alheia e exibicionismo. Cara, pegar o quê? Vish! Eu suspiro gesticulando meu nariz em sinal de desgosto. Desde que ele arrumou uma namorada, ele não perde uma chance para se gabar dela. Dê a ele a menor abertura no assunto, e ele já começa.

Mas o que eu posso dizer. Ele está tão apaixonado.

“Um homem apaixonado é tão desagradável.”

Eu faço a crítica, mas não consigo não rir pra ele.

“Ôu, isso se chama “in love” em inglês.”

Esse cara expressou a frase em inglês com um sotaque tão preciso que eu quis me levantar e dar um chute na moto dele. Me pergunto se ele iria berrar em Inglês com o mesmo sotaque quando sentisse dor.

“Olha só pra você, cara! Ficando melhor desde que começou a namorar uma professora de Inglês.”

“Aff, isso é chamado de “develop”, Mork. Bom, cuide do meu queue, você pode? Eu vou avisar o chefe sobre isso.” Ele liga o motor e coloca seu capacete, então prende as alças embaixo do queixo enquanto checa duas vezes o ângulo de seus retrovisores. “Quando terminar o conserto eu vou direto buscar a Ai. Te vejo amanhã.”

“Okay, se cuida, mano. Obrigado.”

Eu rapidamente faço o cumprimento tailandês. Ele me cumprimenta de volta e acelera para sair da estação. Então, hoje eu piloto por dois queues, o meu e o dele. É um dia de semana, então terá muito trabalho, mas vai dar dinheiro. Certo, eu digo pra mim mesmo. Só faça o seu melhor, Mork!

“Mork, você foi chamado!”

O chefe da estação me dá um grito.

“Sim, chefe!”

Eu corro de volta para minha moto e coloco meu capacete enquanto entrego outro ao passageiro.

“Para onde, senhora?”

“Uh… eu devo colocar isso?”

Ela não me diz seu destino e continua olhando o capacete na minha mão com certo desprezo e deboche. Eu tento não ligar pra isso, estou acostumado.

“Sim, por favor. É para sua segurança. Além do mais, os policiais de transito estão bem rigorosos com isso ultimamente.”

“É só nessa ruazinha. Nós não vamos encontrar um policial. Vai ficar tudo bem!” Ela começa a soar categórica e então eu pego a deixa e calo minha boca. É melhor eu só fazer meu trabalho.

“Uh… Okay, então. Se você está dizendo.”

Eu devolvo o capacete de volta para o seu lugar. É para segurança dela mesma. Tanto faz senhora, se ajeite.

“Éh, para onde?” Eu pergunto de novo.

“Baan Klang Soi Condo, por favor.”

“Vai custar 30 baht. Por favor pode se sentar.”

E então eu só foquei no meu trabalho.

Não é o que eu amo.

Mas me faz sobreviver.

………………

Como eu começo a contar para vocês sobre mim?

Meu nome é Mork. Eu trabalho de moto táxi.

Às vezes eu me pergunto a mesma coisa que o Fueng: por que estou trabalhando de moto táxi? Eu terminei meus estudos, não larguei. Eu estudei Eletrônica em uma escola técnica perto da minha casa e recebi um Certificado Vocacional, com boas notas até. Então, deixa eu te dizer, eu não sou um delinquente…

Isso não é totalmente verdade…

Verdade seja dita, meus pais queriam que eu tivesse uma educação melhor e que eu fosse atrás de um diploma, mas eu era muito cabeça dura. De volta ao passado, minha namorada terminou a 12ª série e queria continuar sua graduação na Universidade de Ramkhamha. Ela me deu um ultimato, terminar o relacionamento ou irmos juntos para Bangkok. Eu nem preciso te dizer o que eu escolhi, certo?

Essa é a razão de não ser completamente verdadeiro quando eu digo que não sou um delinquente.

Felizmente, eu tenho um tio – irmão mais velho da minha mãe – que começou uma oficina de motos na região de SaphanKwai, então eu pude ficar com ele. Quando eu cheguei a Bangkok, eu pensei que fosse achar um emprego e compartilhar as despesas com a minha namorada. O problema é que minha formação dificilmente me arrumaria um emprego na capital. Ou se tivesse um trabalho, era pago tão pouco que você teria a necessidade de perguntar se era um salário ou troco.

No fim, meu tio me emprestou sua moto e usou seu contato com Fueng, que era seu conhecido, para me conseguir uma vaga nessa estação de moto táxi. Foi como eu comecei minha vida como moto táxi na Phahon Yothin Road. Ainda não torça seu nariz. Deixe-me falar, se nós trabalharmos empenhados, dificilmente tirando um dia de folga, e com a ajuda de uma alta taxa de rotatividade de passageiros, nós podemos ganhar mais dinheiro que um homem assalariado.

Eu tenho pilotado o moto táxi enquanto economizo dinheiro. Uma parte da grana ia para ajudar minha namorada com a sua mensalidade da faculdade. Ela também trabalhava e recebia uma ajuda financeira da sua família, mas a vida em Bangkok não é tão fácil, e ela mal ganhava um salário. Então mesmo que ela não pedisse dinheiro, eu sempre estava ajudando. Ela era minha namorada no fim das contas, é minha responsabilidade ajudar ela.

Quatro anos se passaram, e eu descobri que ela estava me traindo. O desgraçado era um de seus colegas de sala. E foi por isso que a nossa relação acabou.

“Por que você fez isso comigo Fern?”

Se eu pudesse voltar no tempo… Eu não teria feito a ela essa pergunta.

“Me desculpe. Eu não tive a intenção .”

Eu fiquei me perguntando se era possível trair alguém sem ter a intenção. Como é? Como as pessoas conseguem lidar com isso?

“E agora, o que a gente faz, Fern?”

Na verdade, eu quis perguntar sobre o que fazer com o nosso relacionamento porque eu estava pagando metade do apartamento onde ela ficava. Eu só dormia lá ocasionalmente, pois era longe da estação. Eu deixava o trabalho às 21h00 e começava no outro dia de manhã bem cedo, era bem complicado ficar com ela toda noite e voltar para o trabalho.

“Me perdoa. Eu não tive a intenção.”

Ela não estava respondendo a minha pergunta. Eu queria saber o que fazer. Não queria um pedido de desculpa.

“Chega de se desculpar, Fern. Você já disse isso. Eu quero saber como vai ser daqui pra frente.”

“Você está me deixando decidir, Mork?” Ela perguntou e eu assenti.

“Eu posso escolher ele?”

E essa foi a escolha que ela fez.

Eu assenti de novo.

Eu deixei a chave do apartamento lá.

Fui embora sem olhar para trás.

Quero dizer, eu deixei o apartamento e o antigo relacionamento entre eu e Fern. Nós começamos nossas vidas em Bangkok juntos, mas dali em diante, eu só tinha a mim mesmo naquela grande cidade. A próxima coisa que tive que considerar foi o que fazer da minha vida. Já que ela já tinha feito sua escolha, eu precisava escolher meu caminho também.

Fern foi a razão pela qual eu mudei para Bangkok. Mas agora, esse motivo havia me abandonado. Eu devo voltar para casa em Chumphon? Eu tinha algumas economias, que deveria ser o suficiente para um investimento caso eu quisesse me tornar um comerciante.

Mas ao mesmo tempo, eu me senti relutante para desistir da oportunidade de emprego em Bangkok. Pilotar um moto taxi pode ser cansativo, mas me fazia ganhar uma quantia decente. Não foi fácil conseguir a vaga na estação também. Além do mais, se eu continuasse em Bangkok, eu poderia ter dinheiro suficiente para ajudar os meus pais em casa.

Naquele momento, eu não consegui me decidir.

Mas eu sabia que eu tinha que ir pra casa primeiro, não importa o que houvesse.

Quando seu coração perde o rumo, você deve pelo menos levar seu corpo de volta fisicamente onde seu coração se sente em casa.

“Apenas fique por aqui então, criança.”

Meu tio se decidiu por mim quando terminei de contar pra ele a história toda. Eu não planejava contar isso pra ninguém. Mas minha cara emburrada deve ter ficado tão obvia que meu tio me puxou de lado para uma conversa, com uma lata de cerveja para cada um e serviu junto uma porção de salada picante de sardinha enlatada que o meu tio mais novo fez para gente. Eu contei aos dois o que aconteceu hoje. Eu não chorei ao recontar minha história, embora uma parte de mim pensasse que eu poderia me sentir melhor se tivesse chorado. Foi estranho. Não importava o quanto eu tentasse forçar, nenhuma lágrima caía.

“Eu posso?” perguntei.

“Claro que sim. Aqui somos só eu e ele. Não temos crianças. Você continua aqui e pilotando o moto táxi. Só nos ajude quando puder no seu tempo livre com a oficina. Minha casa tem bastante espaço de qualquer maneira. Ou quando você quiser parar com o moto táxi, talvez possa trabalhar aqui.”

Eu fiquei em silencio. O que ele disse me pareceu bom, mas…

“O que irá fazer quando chegar em casa, heim?” Meu tio mais novo perguntou.

“Eu ainda não sei. Talvez me tornar um comerciante. Eu tenho algumas economias.”

“Você já considerou complementar seus estudos?”

“Eu larguei desde que cheguei a Bangkok. Já se passaram 4 anos, tio. Se eu voltar a estudar, eu vou ter que estudar com uma galera mais nova.”

“Eu não perguntei quantos anos faz que você está sem estudar ou como se sentiria estudando com pessoas mais novas. Eu quero saber se você já considerou essa possibilidade. Você quer voltar a estudar?”

Eu permaneci calado… É…, sim claro.

Nos últimos quatro anos, eu só pensei sobre Fern e eu.

Eu nunca pensei sobre só eu mesmo. Nem por um minuto.

“Talvez, eu não tenho certeza. Não consigo pensar direito. Minha cabeça está confusa.”

Eu tomei mais um gole da minha cerveja.

“Se você não consegue pensar direito, não tome nenhuma decisão ainda.”

Meu tio mais novo me deu um tapa pesado no meu ombro.

“Vá tomar um banho. Ou você quer comer algo mais? Devo requentar um pouco do ensopado doce picante?”

Eu balanço minha cabeça. A porção de salada picante de sardinha enlatada que eu comi antes, combinada com o calor que eu senti no meu coração quando contei a eles minha história, fez eu me sentir suficientemente cheio.

Eu levantei e deixei o balcão para me despir e me preparar para tomar banho, embrulhando uma loincloth tailandesa ao redor da minha cintura e colocando uma toalha menor sobre um de meus ombros. Durante o processo, eu passei por uma mesa em meu quarto. Em cima dela estava uma foto minha junto com a Fern.

Eu coloquei o retrato de cara pra mesa.

Eu devo arrumar outra foto para substituir essa.

Talvez uma foto que tirei com a minha mãe… ou com meus dois tios.

Eu não estava certo se isso foi porque eu estava cheio, ou porque estava um pouco bêbado pela cerveja, ou porque choveu e o tempo estava legal, mas eu dormi a noite toda. Totalmente ao contrário de um homem com o coração partido.

Eu só fui acordar de novo pela manhã depois do meu despertador tocar três vezes. Eu cochilei e comecei a entrar em pânico. Eu tomei banho rapidamente, me joguei dentro das roupas e do capacete, então deixei minha casa para trabalhar.

Felizmente, não estava atrasado. Eu cheguei bem na hora de bater o ponto junto com o chefe.

Depois de deixar dez passageiros pela manhã, eu percebi que fui trabalhar puramente por hábito. Na última noite, eu estava inseguro sobre minha vida, discutindo entre voltar para casa em Chumphon e continuar aqui em Bangkok. Acabou que meu habito tomou a decisão por mim pela manhã… ei, espera, no fim da manhã para ser exato.

“Ei rapaz, eu quero ir para o edifício XX.”

Um novo passageiro se aproximou.

“Vinte baht, senhor.”

Eu disse o preço, e ele assentiu.

Eu olhei para o meu próprio reflexo no espelho lateral da moto enquanto ligava o motor.

Não é como se eu sorrisse para mim mesmo, eu acho. Mas eu pude sentir um puxão para cima no canto da minha boca.

Olá, novo eu.

E novas resoluções, na mesma e velha cidade.

Então, eu avancei para levar o meu passageiro ao seu destino.

Se passou mais de um ano desde essa manhã em específico. Eu passei por um período doloroso sentindo o pior desgaste. Eu sobrevivi. Eu ouvi que a Fern ficou grávida do cara, mas eles não se casaram. Eu nem sei o que ela fez com o bebê, se ela abortou ou se manteve. Eu não sou de voltar atrás no que eu já deixei uma vez. Não que eu não sinta falta dela ou que eu seja sem coração. Mas parece que se eu continuasse cercando a vida dela, seria ruim para todo mundo: eu, ela, e a pessoa que ela escolheu.

Nós cuidamos de seguir com nossas próprias vidas. Tipo isso.

Eu tenho um trabalho que me dá o necessário para viver.

Eu tenho uma boa família. E estou satisfeito comigo mesmo.

E sobre um novo amor, eu ainda não pensei sobre isso.

“Um… eu quero ir para Baan Klang Soi Condo, por favor.”

Enquanto meus pensamentos estavam vagando pelas minhas memórias, a pequena voz do passageiro me colocou de volta para a realidade que estava enfrentando.

“Uh… trinta baht, senhor.”

Eu respondo automaticamente e ele assente.

“Hey, pode me passar o capacete, por favor?”

Ele aponta para o capacete de segurança extra que eu tenho para meus passageiros.

“……..” Eu encaro silenciosamente.

“Posso usar esse capacete?… ou não posso?”

Ele franze a sobrancelha de forma interrogativa. Eu sorrio e assinto com a cabeça enquanto dou a ele o capacete.

“Oh, claro. Você pode usar esse. Esse é para os meus passageiros. Eu só fiquei surpreso.”

Ele pega o capacete, afivela, e ajusta o aperto da alça. Oh, wow… muitos passageiros concordam em usar o capacete, mas eu nunca vi ninguém colocar de forma tão cuidadosa e metódica como esse homem.

“Por que você está surpreso?” Ele perguntou.

“Porque o passageiro não pergunta pelo capacete geralmente. Na maioria das vezes eu tenho que implorar para eles usarem.”

“É? Por que… é pra minha própria segurança, eu devo usar. E estou assustado. Especialmente porque nunca andei de moto antes.”

Eu estou quase colocando o pé no pedal para ligar o motor quando eu ouço o “nunca andei de moto” e isso me faz parar o pé no ar. Eu me viro para dar uma olhada melhor nesse passageiro.

“Senhor, você disse que nunca andou de moto antes?”

Ele assente como resposta. Vishh! Eu vou ser o primeiro a levar ele na garupa?

“Então eu sou o primeiro moto táxi que você pega?”

Ele assente novamente.

“Deixa eu reformular, essa é sua primeira vez sendo passageiro em uma moto?”

Ele balança a cabeça positivamente de novo, fazendo o capacete oscilar. Eu escondi a risada.

“Okay, vamos conversar?” eu empurrei o suporte lateral da moto e a estacionei. “Vou explicar algumas coisas primeiro, assim você não ficara tão assustado. Pode ser?”

Ele balança a cabeça junto com o capacete oscilante. Dessa vez mais engraçado que antes, eu estou muito perto de me beliscar para suprimir minha risada.

“Aqui, esses são os pedais para apoiar. Quando estiver andando, apoie um pé em cada. Entendeu?” Eu aponto para os pedais do passageiro. Ele olha para eles e concorda.

“E aqui,” eu aponto para a barra de apoio traseira, “é uma alça para o passageiro se segurar.”

Ele assente. “E a minha outra mão?”

“Uh… o quê?” eu estou confuso. Que outra mão? O quê?

“Bem, uma mão vai na alça, e a outra mão? Onde a coloco? Onde me seguro?” Ele pergunta sério. Aaah, que saco! Você está de brincadeira comigo? O que eu fiz para merecer esse passageiro?

“A outra mão… talvez você possa apoiar ela na sua coxa.”

Dou a ele uma resposta qualquer. E eu lá vou saber onde ele deve colocar a mão? É sua própria mão, você que decide mano.

“Mas isso está desafiando as leis da física. Como vou manter meu balanço assim?”

Ele argumenta de cara fechada franzindo as sobrancelhas. Que diabos isso tem a ver com a física… eu não entendi, então olho para ele devolvendo uma cara feia como resposta também.

“Ó, se eu sentar aqui, e você usar os freios, eu vou ser jogado para frente, mas eu posso usar a alça para me segurar, certo? Mas quando você sair ou acelerar, eu vou ser lançado para trás. A mão atrás de mim não vai me ajudar. Minha outra mão precisa se segurar em algo na frente para eu não cair para trás.”

O passageiro elabora com tantos detalhes. Eu não consegui acompanhar muito depois de “eu vou ser jogado para frente” então nem vamos comentar o ser lançado para trás. Eu estou completamente perdido. Que se dane a física! Meu programa vocacional não incluía essa matéria.

“Então você está querendo dizer que precisa de algo para se segurar na frente?”

Eu tento resumir o ponto principal. Felizmente, eu ouvi a última parte da sua explicação.

Ele assente.

“Posso segurar na sua cintura?”

“Na minha cintura? Definitivamente não, eu tenho cócegas. Se você segurar na minha cintura, você não vai cair pra trás, mas a moto e todo mundo vai cair assim que a gente começar o percurso. Eu sou muito sensível!” Óbvio que não. Eu não posso deixar elesegurar na minha cintura. Eu nunca permiti nem as passageiras bonitas, ou mesmo minha ex, a fazer isso. Eu sou muito coceguento.

Ele franze as sobrancelhas. Ainda mais profundo do que antes. Wow, incrível. Eu nunca tinha visto uma pessoa que pudesse franzir tão forte as sobrancelhas.

“Um… vamos ver. Que tal você se segurar no meu ombro?”

Eu tento negociar, mas suas sobrancelhas continuam franzidas.

“Eu acho que não é seguro o suficiente.”

Ele fala. Eu começo a contar de um até dez. Calma, Mork, ele é seu passageiro.

“Ah, tente assim, então. Suba na moto.”

Eu volto para minha moto e monto nela, puxando o apoio lateral de volta para o seu lugar. Ele se ajeita devagar na garupa. Eu pego sua mão direita com a minha mão direita, guiando seu braço para frente um pouco abaixo da axila, e travo a mão dele no meu ombro.

“Está bom? Essa posição é forte e segura, eu prometo.”

Eu inclino minha cabeça para frente enquanto tento suprimir qualquer insinuação de sarcasmo que talvez possa escapar no meu tom de voz… o que foi bastante difícil.

“Mas se agora eu cair para trás você vai cair junto comigo, de acordo com as leis da física.”

Ele continua querendo discutir. Que se dane a desgraça dessa física! Se ele continuar fazendo perguntas, eu vou começar a chamar ele de George o curioso. Que cara exigente! É só andar de moto, seu questionamento interminável está me fazendo sentir como se estivéssemos recitando toda a ordenação. Grrr!

“Vamos lá, confie em mim. Eu sou forte o suficiente para não te deixar cair. Uma vez que você está na minha moto, sua segurança é minha responsabilidade. Só confia.”

Eu ligo o motor e me preparo para levar o passageiro ao seu destino. Eu devo me apressar e me livrar logo disso. Me liberando logo desse esquisitão da física.

Pensando nisso, eu nunca o vi antes.

Então, com sorte eu vou ter que lidar com ele só dessa vez.

Oh… eu devo me certificar, para que eu possa evitar de ter ele como passageiro de novo.

“Mas então, você se mudou há pouco tempo para Baan Klang Soi Condo?”

Eu pergunto a ele antes de começar a pilotar.

“Por que está perguntando?”

Tá brincando? Grrrrrrrr! Por que ele está me respondendo com outra pergunta?

“Porque eu tenho trabalhado aqui por muitos anos e já levei muitos passageiros nesse condomínio, e você é novo, deve ter se mudado recentemente.”

“Ah, hahahaha! Eu não me mudei. Eu só estou indo para um date.”

“Ah… sim. Okay, segura firme. Nós vamos sair.”

Está indo ver sua namorada, entendi agora. Hah! Do jeito que ele é, esse relacionamento não deve durar muito. Ele é um mimado. Nenhuma garota consegue tolerar um cara tão implicante. Estou falando por experiência própria.

“Vai devagar, por favor. Eu não quero cair.”

“Sim, senhoorrrrrr.”

Eu estaciono em frente ao condomínio e sua mão continua travada no meu ombro. Ele espera eu desligar o motor para se soltar e sair lentamente da moto. Então ele tira o capacete e me devolve.

“Trinta baht, por favor.” Eu pego o capacete de sua mão.

“Obrigado.” Ele me dá uma nota de vinte baht e uma moeda de dez baht.

“Obrigada, senhor.” Eu ligo o motor novamente e me preparo para sair, e então acontece de eu ouvir uma conversa atrás de mim.

“Tawan, você demorou tanto eu pensei que estava perdido.”

“Aww, querido, isso é impossível.”

Eu não quis ser enxerido, mas minha cabeça virou automaticamente. A pessoa que estava esperando por aquele passageiro na frente do condomínio era um cara.

Tipo, uou!… sua namorada na verdade é namorado.

…………..

Notas de rodapé:

Queue– Se refere a vez do moto táxi de ir levar um passageiro. Em uma estação específica, todos os pilotos estão em espera em uma fila, ou como se fosse uma fila, esperando para serem chamados. Cada motoqueiro tem sua vaga na linha e irá pegar o passageiro quando for sua vez.

Cumprimento Tailandês: é um gesto de cumprimento tradicional. É representado pelas duas mãos pressionando as palmas uma contra a outra de frente ao peito, mantendo os dedos esticados e próximos uns aos outros.

Loincloth tailandês: é um tipo de vestimenta multiuso de formato retangular, geralmente com cores distintas e listras ou xadrez. Pode ser usado no lugar de muitas coisas como um turbante, toalha, faixa, sarongue ou um saco improvisado. Acredita-se que o nome é derivado da palavra persa “Kamarband”.